Os mercados europeus sentiram o peso de uma tempestade dupla nesta segunda-feira. O principal índice pan-europeu, Stoxx 600, encerrou o dia com queda de 0,49%, com perdas semelhantes em Paris (CAC 40) e Frankfurt (DAX), segundo reportagem do Money Times. A exceção foi Londres (FTSE 100), que subiu apoiada em ações de petroleiras e farmacêuticas.

A queda foi motivada por uma confluência rara de fatores: de um lado, a ansiedade com o ritmo da própria inovação tecnológica; do outro, o retorno de um velho fantasma macroeconômico. A leitura é que o mercado está sendo comprimido entre os dilemas existenciais da inteligência artificial e a pressão tangível da inflação impulsionada pelo preço da energia.

O dilema da aceleração

O gatilho para a liquidação no setor de tecnologia foi um apelo incomum vindo de dentro do próprio establishment da IA. No fim de semana, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu que as empresas desacelerassem os avanços em modelos de inteligência artificial devido a riscos de uso indevido. A visão foi publicamente apoiada por nomes como Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da xAI.

A reação dos investidores foi imediata e severa. Ações de gigantes europeias de semicondutores, cruciais para a infraestrutura de IA, despencaram: a alemã Infineon caiu 7,9%, a franco-italiana STMicroelectronics perdeu 6,8% e a holandesa ASML recuou 6,2%. O subíndice de tecnologia do Stoxx 600 cedeu 2,1%, mostrando que o debate sobre os limites éticos e de segurança da IA deixou de ser filosófico e passou a ser precificado em tempo real nas bolsas.

Para complicar o cenário, a alta do petróleo, que se aproxima da marca de US$ 110 o barril, trouxe de volta o temor da inflação. O movimento foi classificado como “bastante preocupante” por Isabel Schnabel, dirigente do Banco Central Europeu. Com decisões importantes sobre taxas de juros agendadas para os Estados Unidos, Reino Unido e Japão, os investidores se veem diante de uma encruzilhada: a vertigem de uma tecnologia que questiona os próprios limites e a ameaça persistente da inflação corroendo o poder de compra.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times — Mercados