A Visibuilt, uma startup dinamarquesa de biotecnologia, captou €3,34 milhões em uma rodada seed para desenvolver um substituto biológico para o cimento e o betume. O aporte foi coliderado pelo fundo soberano dinamarquês EIFO e pela Unconventional Ventures, com participação de outros investidores.

O capital será usado para escalar o visiBINDER, um material ligante produzido a partir de micélio — a estrutura radicular dos fungos. A tese é que a biotecnologia pode oferecer uma alternativa de baixa emissão de carbono para a construção civil, um dos setores mais poluentes do planeta.

Biologia contra o concreto

Cimento e asfalto são a base da infraestrutura moderna, mas sua produção é intensiva em energia e responde por uma parcela significativa das emissões globais de CO₂. A inovação da Visibuilt não busca otimizar o processo existente, mas substituí-lo por uma plataforma biológica.

A tecnologia consiste em "cultivar" um aglutinante. O desafio, agora financiado, é traduzir a prova de conceito de laboratório em um produto escalável, durável e com custo competitivo para uma indústria conservadora e de volumes massivos.

Do laboratório à calçada

O investimento permitirá à Visibuilt avançar para testes de validação em larga escala e estabelecer uma produção piloto para ensaios com parceiros industriais. O endosso de investidores como a Unconventional Ventures se baseia não apenas no potencial de impacto, mas em sinais de execução.

Segundo o fundo, a fundadora Line Kloster Pedersen já estabeleceu parcerias de teste com o principal fabricante de pavimentos da Dinamarca e com a prefeitura de Copenhague. Para uma empresa de "hard tech" em estágio inicial, ter tração comercial antes mesmo de um produto final é um diferencial raro.

A aposta na Visibuilt é um termômetro do crescente apetite do venture capital por soluções de descarbonização em "deep tech". O sucesso dependerá de provar que um material cultivado pode ser tão confiável quanto o concreto que moldou o mundo moderno.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ArcticStartup