O fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11) firmou um memorando de entendimentos para a venda de um imóvel em São Paulo, atualmente locado para a gigante de diagnósticos Dasa, por R$ 77 milhões. A transação, com pagamento à vista, deve ser concluída em até 45 dias.
Segundo comunicado do fundo, a venda deve gerar um lucro de R$ 3,6 milhões, ou R$ 0,06 por cota. Mais do que o ganho pontual, o movimento é um exemplo prático da tese de “reciclagem de portfólio” e sinaliza a capacidade de uma gestão ativa gerar valor mesmo quando o cenário macro para os fundos imobiliários se mostra adverso.
O ciclo completo da reciclagem
A operação do TRXF11 materializa o que a gestora TRX Investimentos chama de “ciclo completo de reciclagem de capital”. O imóvel foi adquirido há cerca de 15 meses sem desembolso de caixa, por meio de uma compensação de créditos. Agora, é vendido com um prêmio de 12,23% sobre o último laudo de avaliação, entregando uma taxa interna de retorno (TIR) estimada em 16,28%.
Na prática, o fundo transformou um ativo ilíquido (o imóvel) em caixa, capturando sua valorização em um prazo curto. Essa liquidez recém-adquirida permite ao gestor buscar novas oportunidades de investimento, repetindo o ciclo de compra, maturação e venda. É uma estratégia que depende de timing e de uma seleção criteriosa de ativos, diferenciando fundos com gestão ativa daqueles com uma postura mais passiva.
Um sinal em meio à turbulência
Enquanto a transação do TRXF11 aponta para uma execução bem-sucedida, o mercado mais amplo de fundos imobiliários enfrenta um momento de correção. O IFIX, principal índice do setor na B3, opera em queda, refletindo um ambiente de juros e incertezas macroeconômicas que pressiona as cotas.
A venda do imóvel da Dasa, portanto, funciona como um contraponto. Ela demonstra que ativos de qualidade, bem localizados e com inquilinos sólidos continuam a ter liquidez e a despertar interesse no mercado, permitindo que os gestores realizem lucros. O movimento sublinha a importância da análise micro — a qualidade de cada imóvel e contrato — em detrimento de uma visão puramente macro do setor.
O desinvestimento do TRXF11 é um estudo de caso sobre como destravar valor em um portfólio imobiliário. O desafio, agora, se desloca da venda para a alocação: como a gestão irá reinvestir os R$ 77 milhões para gerar retornos futuros em um mercado que segue complexo e competitivo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





