Andrea Orcel, o CEO do UniCredit, colocou as cartas na mesa: o banco italiano pode assumir o controle do alemão Commerzbank já a partir do quarto trimestre deste ano. A declaração, feita com uma confiança notável, vem após o UniCredit garantir 49,65% dos direitos de voto do rival germânico por meio de uma oferta pública de aquisição.
O movimento é um passo decisivo na longa saga da consolidação bancária europeia, um setor ainda fragmentado por fronteiras nacionais. A leitura aqui é que a batalha financeira pode ter acabado, mas a guerra política está apenas começando. O verdadeiro desafio para Orcel não é mais convencer acionistas, mas sim o governo alemão e os poderosos sindicatos do país.
O jogo político começa agora
Com 12% do Commerzbank nas mãos do governo alemão, a negociação será delicada. Orcel adota uma postura de quem tem a mão mais forte, afirmando que o UniCredit alcançou o controle potencial "sem ter que fazer nada", uma vez que a gestão do Commerzbank se recusou a negociar inicialmente. Essa é uma abertura de negociação que soa quase como uma provocação, mas que também sinaliza que há espaço para concessões.
O CEO italiano se diz "bastante aberto" para as conversas. O governo em Berlim, por sua vez, buscará garantias sobre empregos e a manutenção do papel do Commerzbank como financiador do Mittelstand — o pilar de pequenas e médias empresas que sustenta a economia alemã. Orcel precisará de mais do que perspicácia financeira; a diplomacia corporativa será sua principal ferramenta.
Consolidação a fogo lento
A estratégia de integração, no entanto, será tudo menos apressada. Orcel foi claro ao afirmar que o Commerzbank e o HVB, a unidade alemã que o UniCredit já possui, permanecerão como entidades separadas por dois a três anos. Apenas depois desse período de alinhamento de modelos e cultura uma fusão completa seria considerada.
Este plano de "consolidação a fogo lento" é uma admissão pragmática da complexidade de fundir duas instituições com modelos de negócios distintos. Para o setor bancário europeu, é um sinal importante. Um casamento bem-sucedido entre UniCredit e Commerzbank criaria um gigante pan-europeu com escala para competir globalmente, podendo destravar uma onda de outras fusões transfronteiriças que o continente aguarda há anos.
Orcel já tem o controle acionário virtualmente garantido e um cronograma regulatório que, segundo ele, está adiantado. Agora, o sucesso da empreitada dependerá de sua habilidade em navegar pelas sensibilidades políticas e sociais da maior economia da Europa. O resultado definirá não apenas o futuro do UniCredit, mas também um possível novo manual para a integração bancária no continente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





