Para Rogério Freitas, chefe de investimentos do ASA, a conta para o investidor conservador não fecha mais. Com os títulos do tesouro americano rendendo pouco acima da inflação local, a era do ganho fácil no juro real curto parece ter chegado ao fim. “O investidor que está no juro real curto está perdendo dinheiro”, afirmou Freitas em entrevista ao portal Money Times.
A tese do gestor é que, neste cenário, a única alternativa é recalibrar a bússola e navegar em direção ao risco. Isso significa, na prática, duas manobras principais: alongar as posições em renda fixa para capturar prêmios de prazo — o chamado “duration” — e diversificar a carteira com ativos reais, como imóveis, commodities e, notadamente, o ouro.
A busca por refúgio real
A análise de Freitas parte de uma tensão global: um excesso de liquidez que convive com uma demanda igualmente voraz por capital por parte de governos e gigantes de tecnologia. Esse cabo de guerra pressiona as taxas de juros de longo prazo para cima, em um fenômeno que o gestor classifica como “repressão financeira” que deve perdurar.
Nesse contexto, ativos como o ouro ganham relevância não apenas como um hedge contra a inflação, mas como uma defesa contra o que ele chama de “desancoragem das moedas”. A recomendação, contudo, passa longe de uma aposta única. A diversificação, segundo ele, é fundamental, e uma posição concentrada no dólar, por exemplo, seria imprudente.
O termômetro fiscal no Brasil
Enquanto o Ibovespa aguarda definições no campo político e fiscal, o ASA enxerga uma oportunidade tática no mercado doméstico: a Nota do Tesouro Nacional série B (NTN-B), conhecida pelo investidor de varejo como Tesouro IPCA+. O ativo é visto como particularmente sensível a uma melhora na percepção fiscal do país.
Freitas é categórico ao afirmar que “quem dirige o carro da política monetária é a política fiscal”. Uma mudança positiva de rota no fiscal destravaria uma reação em cadeia: queda nos juros nominais, valorização do real, alta na bolsa e, consequentemente, um fechamento nas taxas das NTN-Bs. É um trade que depende diretamente da âncora de credibilidade do governo. Por ora, o cenário base do ASA projeta uma Selic terminal de 13,25% em 2026.
A leitura é que o investidor se encontra em uma encruzilhada. De um lado, a segurança dos retornos modestos e decrescentes. Do outro, a necessidade de assumir riscos mais complexos — seja de prazo, seja de classe de ativo — para proteger e rentabilizar o capital. A tese do ASA é um chamado para a segunda opção, mas com um mapa de navegação bem definido.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





