A produção de carvão nos Estados Unidos sofreu uma retração expressiva de 11,3% em 2024, caindo para cerca de 512 milhões de toneladas curtas. O dado, compilado pelo Visual Capitalist a partir da U.S. Energy Information Administration, confirma a tendência de longo prazo de declínio da fonte de energia fóssil mais poluente.
Apesar da queda nacional, o mapa da indústria revela uma realidade mais complexa. A produção não está desaparecendo de forma homogênea, mas sim se consolidando em alguns poucos bastiões geográficos. A leitura é que, embora a transição energética avance, a dependência estrutural de economias locais garante ao carvão uma sobrevida teimosa e politicamente carregada.
Dois mundos: Wyoming e os Apalaches
O epicentro da indústria de carvão americana é o estado de Wyoming, que sozinho respondeu por 190,7 milhões de toneladas, ou 37% de toda a produção do país. O volume é mais que o dobro do segundo colocado, West Virginia. A escala é a chave: Wyoming opera com apenas 15 minas gigantes de superfície, um modelo de alta eficiência. Contudo, nem o gigante do oeste está imune à maré. Sua produção caiu quase 20% em relação a 2023, a maior queda nominal do país.
Do outro lado do espectro estão os estados da região dos Apalaches. West Virginia, com 79,5 milhões de toneladas, e Pensilvânia, com 40,6 milhões, somam 61% da produção americana junto com Wyoming. O modelo de negócios, porém, é distinto. West Virginia possui 164 minas em operação, um reflexo de uma geologia diferente e de uma economia mais pulverizada e dependente da atividade. As quedas nesses estados foram mais brandas, em torno de 5%, sugerindo uma inércia maior.
Uma queda desigual
O declínio agregado de 11,3% mascara movimentos divergentes no território americano. Estados relevantes como Indiana e Kentucky também registraram quedas de dois dígitos, alinhados à tendência nacional. A pressão competitiva do gás natural e a expansão acelerada de fontes renováveis, como solar e eólica, são os vetores principais dessa mudança estrutural na matriz energética do país.
No entanto, a narrativa do fim do carvão encontra contrapontos. Em um sinal de que as dinâmicas de mercado não são monolíticas, alguns estados remaram contra a corrente. A produção no Alabama cresceu notáveis 19,4% em 2024, enquanto Utah e Dakota do Norte também registraram aumentos. Essas exceções mostram que fatores locais, tipos específicos de carvão ou contratos de fornecimento de longo prazo ainda conseguem sustentar bolsões de crescimento.
O quadro geral não é o de um colapso súbito, mas de uma retirada lenta, desordenada e geograficamente desigual. Enquanto a direção da transição energética parece traçada, a resiliência econômica e política do carvão em certas regiões indica que seu capítulo final na história energética americana ainda está longe de ser escrito.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





