A comunidade de tecnologia em saúde do Brasil tem um encontro marcado em São Paulo. No dia 5 de agosto, a 17ª edição do Fórum Saúde Digital, promovido pela TI Inside, reunirá executivos de hospitais, operadoras e healthtechs para debater a aceleração da transformação digital no setor.
A programação do evento, no entanto, é mais do que uma lista de painéis: ela funciona como um termômetro preciso das prioridades e dos gargalos atuais. Os temas centrais — interoperabilidade, inteligência artificial e cibersegurança — indicam que o setor busca sair da fase de experimentação para a implementação em escala, enfrentando desafios operacionais complexos.
Do piloto à escala
O destaque dado à interoperabilidade, com a presença de players como InovaHC e Google Cloud, demonstra a urgência em conectar sistemas legados, uma dor antiga e persistente. A promessa de uma "visão unificada do paciente" não é nova, mas a participação de C-levels no debate sinaliza que o tema migrou da área de TI para a agenda estratégica do conselho, sendo visto como um pilar para destravar eficiência.
Em paralelo, a discussão sobre IA, com executivos de gigantes como Roche e Afya, move-se para além do hype, buscando "resultados concretos" e retorno sobre o investimento. A questão não é mais se a inteligência artificial será usada, mas como ela pode gerar ganhos mensuráveis na decisão clínica e na gestão administrativa, justificando os aportes em inovação.
A fundação da confiança
Essa digitalização acelerada, contudo, cria novas e críticas vulnerabilidades. A inclusão de um painel dedicado à cibersegurança, com os responsáveis pela tecnologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e do Grupo Sabin, é sintomática. Com o aumento dos ataques de ransomware a instituições de saúde, garantir a continuidade operacional e a proteção de dados sensíveis tornou-se uma questão de sobrevivência e reputação.
Essa base de segurança é o que permite, por fim, redesenhar a jornada do paciente. O tema, que encerra o evento com líderes de experiência do Einstein, Sírio-Libanês e BP, mostra que a tecnologia é, no fim, um meio para um fim: melhorar a qualidade do cuidado e a eficiência da entrega, equilibrando a balança entre operação e assistência.
O fórum não trará respostas definitivas, mas seu roteiro é claro. A pauta reflete um setor que amadurece sua visão digital, consciente de que a inovação depende tanto de algoritmos avançados quanto da robustez de sua infraestrutura e da confiança de seus pacientes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside





