As vagas para profissionais de marketing estão 25% abaixo dos níveis pré-pandemia, um dos maiores recuos entre todas as funções de colarinho branco nos últimos cinco anos. O dado, vindo do laboratório de pesquisas da plataforma de empregos Indeed, poderia sinalizar uma crise na profissão. Mas para o próprio CMO da companhia, James Whitemore, a leitura é outra.
Em artigo para o Business Insider, Whitemore argumenta que o que está em curso não é a obsolescência do marketing, mas sua profunda transformação. Enquanto as vagas tradicionais encolhem, aquelas que mencionam inteligência artificial (IA) crescem. A mudança de fundo é clara: o mercado não precisa de menos marketing, mas sim de um novo tipo de profissional de marketing — mais estratégico, analítico e com visão de negócio.
Do tático ao estratégico
A era da IA está commoditizando a execução. Ferramentas de automação e geração de conteúdo nivelam o campo de jogo, tornando a capacidade de simplesmente "fazer" um diferencial cada vez menor. O valor, segundo Whitemore, migra para o julgamento humano: a capacidade de conectar dados de clientes, estratégia de produto, finanças e vendas para guiar o crescimento do negócio de forma sustentável.
O kit de habilidades do novo marketeiro é composto por três pilares. O primeiro é a fluência em dados, não para gerar mais relatórios, mas para separar o sinal do ruído. O segundo é a literacia de negócios, entendendo a empresa para além do funil de marketing. O terceiro, e talvez o mais importante, é uma combinação de curiosidade e coragem para testar, falhar e abandonar playbooks que já não funcionam mais.
Inteligência que não se terceiriza
Essa evolução interna tem uma consequência direta na forma como as organizações se estruturam. Whitemore defende uma tese que pode soar como heresia para alguns: a interpretação dos seus próprios dados não pode ser terceirizada. Agências e consultores externos, por melhores que sejam, otimizam para as métricas que conseguem ver, sem o contexto profundo do negócio, seus clientes e seus trade-offs estratégicos.
É um conhecimento que reside apenas dentro do time. Foi por isso, relata o executivo, que o Indeed decidiu internalizar suas capacidades de analytics e ciência de dados. A posse dos modelos de marketing mix permitiu que a empresa aplicasse seu próprio contexto de negócio para identificar canais que já não geravam crescimento significativo. Em um cenário de abundância de dados gerados por IA, ter a equipe certa para fazer as perguntas certas torna-se uma vantagem competitiva fundamental.
O recado implícito nos dados de contratação, portanto, não é de desvalorização, mas de sofisticação. As empresas não estão desistindo do marketing; estão elevando a régua. O futuro não pertencerá a quem executa o manual de ontem, mas a quem tem a capacidade de julgamento para escrever o de amanhã.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





