O mercado global de arte parece reencontrar seu vigor. A Christie's anunciou um faturamento de US$ 4,5 bilhões no primeiro semestre, seu melhor desempenho para o período em cinco anos. O montante inclui US$ 3,5 bilhões em leilões — uma alta de 71% sobre o ano anterior — e mais de US$ 1 bilhão em vendas privadas, segundo reportagem da ARTnews.
Ainda que coleções de peso, como a do magnata S.I. Newhouse, vendida por US$ 630,8 milhões, tenham impulsionado os números, a tese da Christie's é que a recuperação é mais profunda e estrutural. A CEO Bonnie Brennan destacou um crescimento generalizado "em todos os departamentos e regiões, em todas as faixas de preço", sinalizando uma retomada da confiança dos compradores.
Mais que obras-primas, a saúde do mercado
Para a Christie's, a história mais importante não está no faturamento total, mas nos indicadores de saúde do mercado. A taxa de venda (sell-through rate) subiu de 87% para 91%, e as obras foram arrematadas, em média, por 124% de suas estimativas mínimas, um avanço em relação aos 112% do ano passado. A casa também registrou um número recorde de lances por lote, indicando maior competição.
O dado mais eloquente, contudo, veio do segmento intermediário. Obras com estimativas entre US$ 20 mil e US$ 100 mil alcançaram 148% de suas estimativas mínimas, um salto de 21% em um ano. A leitura é clara: a demanda aquecida não se restringe a obras-primas de nove dígitos, mas se estende à base do mercado, um sinal de vitalidade e profundidade.
Arte tradicional e novos compradores
O motor do crescimento foi a arte tradicional. As vendas de arte dos séculos 20 e 21 subiram 79%, enquanto o segmento de Mestres Antigos explodiu com uma alta de 232%. Em contraste, a categoria de Luxo, que vinha sendo uma das de maior crescimento, teve uma expansão mais modesta, de 15%. Os dados sugerem um retorno dos colecionadores aos ativos mais canônicos do mercado.
Ao mesmo tempo, o perfil do comprador se diversifica. A participação de clientes internacionais e a entrada de novos colecionadores das gerações Millennial e Z — que já representam quase metade dos novos clientes, principalmente via canais online — apontam para uma renovação da base. A expansão da Christie's Art Finance, sua divisão de financiamento com garantia em obras, reforça a crescente sofisticação do mercado.
A aposta da Christie's é que o mercado se concentre menos nas vendas bilionárias e mais nos sinais de uma recuperação ampla e sustentável. Resta saber se o momento atual representa um novo ciclo de alta ou um pico impulsionado por um conjunto pontual de grandes coleções chegando ao mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · ARTnews


