Astrônomos capturaram a imagem mais precisa já feita do asteroide (44) Nysa, um dos corpos mais brilhantes do cinturão localizado entre Marte e Júpiter. As observações, realizadas com o Large Binocular Telescope, no Arizona, e o Very Large Telescope, no Chile, revelaram uma geometria extraordinária e a presença de um companheiro inesperado.

Segundo reportagem do jornal espanhol El Confidencial, a descoberta, que aguarda publicação na revista Astronomy & Astrophysics, não apenas redefine a morfologia de Nysa, mas também oferece pistas valiosas sobre a formação de corpos rochosos no início do nosso sistema solar. O que antes se supunha ser um asteroide binário de contato — uma configuração comum — agora se apresenta como um objeto muito mais complexo e raro.

Uma estrutura sem precedentes

Descoberto em 1857, Nysa sempre intrigou os cientistas por seu brilho e formato aparentemente alongado. Modelos anteriores, mesmo com dados do telescópio espacial Hubble, eram inconclusivos. O avanço veio com o uso de sistemas de óptica adaptativa de última geração, que corrigem a distorção da atmosfera terrestre, permitindo uma nitidez sem igual. As imagens revelaram o que parece ser o primeiro asteroide trilobulado já identificado: uma espécie de "monstro de três cabeças" com cerca de 75 km de diâmetro.

O modelo tridimensional sugere que o corpo principal é formado por três seções distintas, conectadas por "pescoços" estreitos, resultado de episódios violentos em seu passado. Kate Minker, astrônoma do Observatório Lowell e principal autora do estudo, afirmou que a explicação mais provável é que Nysa seja "um sistema triplo de contato" ou "um corpo coerente extremamente irregular, distinto de qualquer coisa que tenhamos observado anteriormente".

Uma lua e a chave para o passado

Além da forma inusitada, as observações revelaram uma pequena lua de aproximadamente 1 quilômetro de diâmetro, designada provisoriamente S/2026 (44) 1. O satélite estava oculto pelo intenso brilho de Nysa, e sua detecção exigiu técnicas avançadas de processamento para remover o halo luminoso do asteroide principal.

A descoberta da lua é fundamental. Ao analisar sua órbita, os cientistas poderão calcular com grande precisão a massa e a densidade de Nysa. Esses dados são essenciais para determinar sua origem, seja pela aglomeração lenta de fragmentos após uma colisão antiga ou por um impacto violento. A composição do asteroide, rica em enstatita — um mineral associado às regiões internas do sistema solar —, o torna uma peça valiosa para entender como os planetas rochosos se formaram há 4,5 bilhões de anos.

Com a nova descoberta, Nysa deixa de ser apenas um ponto brilhante no céu para se tornar um laboratório natural complexo. Suas características únicas prometem aprofundar o conhecimento sobre a arquitetura e a evolução caótica dos primórdios do nosso sistema solar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · El Confidencial — Tech