Para além dos pilotos e das escuderias, a Fórmula 1 move um complexo aparato tecnológico a cada Grande Prêmio. O coração dessa operação é o Event Technical Centre (ETC), um data center itinerante que garante o processamento de dados, telemetria e a transmissão global do evento. A estrutura é um feito de engenharia e logística, como detalhado em uma recente visita ao local pela publicação espanhola Xataka.
O ETC é o cérebro digital da competição a cada fim de semana de corrida. Em parceria com a Lenovo, a F1 montou uma infraestrutura de computação de alta performance que precisa ser não apenas potente, mas extremamente resiliente. Afinal, os servidores viajam em porões de aviões e caminhões, enfrentando vibrações, umidade e temperaturas extremas, com a exigência de funcionar perfeitamente na primeira tentativa.
A logística do circo digital
O desafio logístico é o ponto central da operação. Se em 2017 a F1 precisava de 14 contêineres para transportar 250 toneladas de equipamentos, hoje, graças à virtualização e a um modelo de gerenciamento remoto, toda a eletrônica crítica viaja em apenas três contêineres de carga aérea. Para cumprir o calendário apertado, a organização utiliza duas estruturas físicas de edifício idênticas, que se alternam pelos circuitos, enquanto o conjunto único de servidores e racks é transportado entre elas.
A transição entre corridas é uma operação cronometrada. Apenas sete horas após o fim de uma prova, todo o equipamento é desmontado, empacotado e despachado. Dentro do centro de dados, rodam 750 equipamentos com mais de 40 sistemas de software customizados, sustentados por uma capacidade de cômputo de 1,4 THz em 512 núcleos de CPU, 8,2 terabytes de RAM e 100 terabytes de armazenamento all-flash.
O modelo da F1 não é apenas sobre a tecnologia do esporte. É um estudo de caso sobre a vanguarda do edge computing e da resiliência operacional em ambientes distribuídos e de missão crítica. As lições de miniaturização, robustez e agilidade logística ecoam para qualquer setor que dependa de infraestrutura de TI em condições adversas, muito além das pistas de corrida.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





