Os mercados asiáticos operaram sem um rumo definido nesta terça-feira, refletindo a tensão geopolítica concentrada em um dos pontos mais estratégicos do planeta: o Estreito de Ormuz. O impasse nas negociações para a reabertura da passagem, por onde escoa cerca de um quinto do petróleo mundial, empurrou o preço do barril do tipo Brent para perto de US$ 90, uma alta superior a 2% no dia.

A reação imediata foi um misto de cautela e resiliência seletiva. Enquanto bolsas na China continental e em Hong Kong registraram perdas, pressionadas pelo custo da energia, o mercado sul-coreano viu seu principal índice avançar, impulsionado pela gigante de semicondutores Samsung. A leitura é que um evento geopolítico localizado está se traduzindo rapidamente em um teste de estresse para diferentes modelos econômicos e sua dependência energética.

O preço do risco geopolítico

A crise no Estreito de Ormuz funciona como um lembrete contundente de como a geografia ainda dita as regras da economia global. A paralisação, mesmo que parcial ou temporária, de um gargalo como este insere um prêmio de risco instantâneo no ativo mais fundamental da economia moderna. A alta do petróleo não é apenas uma questão de oferta e demanda, mas uma precificação da instabilidade.

Essa dinâmica explica a performance dividida na Ásia. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou mais de 1%, enquanto na Coreia do Sul, o Kospi subiu 0,73%, com a Samsung saltando mais de 4%. A valorização da fabricante de chips pode sinalizar uma aposta do mercado em empresas de tecnologia com cadeias de valor menos expostas diretamente ao custo do frete marítimo de petróleo, ou mesmo movimentos cambiais associados. Em contrapartida, os mercados mais amplos, como o chinês, sentem o peso macroeconômico do petróleo caro, que reaviva o fantasma da inflação e, por consequência, a possibilidade de uma postura mais dura de bancos centrais como o Federal Reserve.

A Austrália, uma economia exportadora de commodities, mostrou leve alta, sugerindo que os efeitos da crise energética não são uniformes. O que se desenha é um cenário em que a resiliência de cada mercado é testada pela sua exposição ao choque dos preços de energia e pela capacidade de suas principais empresas de navegar em um ambiente de custos crescentes e potencial desaceleração da demanda global.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times