A Pratt Manhattan Gallery, em Nova York, inaugura em 25 de setembro de 2026 a exposição “Like everything alive that we try to hold forever”. A mostra itinerante reúne o trabalho de sete artistas internacionais que investigam a complexa e multifacetada relação entre o corpo humano e os objetos não-humanos.

Através de fotografia, escultura e vídeo, a premissa é explorar como a coleta sistemática, o consumo e a contextualização de objetos impactam a percepção de nós mesmos e dos outros. Em um mundo cada vez mais mediado por tecnologias e avatares digitais, a exposição propõe uma reflexão sobre as fronteiras, cada vez mais tênues, entre o humano, o artificial e o legado material que construímos.

Da arqueologia à IA

O ponto de partida curatorial, assinado por Elizabeth Diggon, Naomi Potter e Shauna Thompson, é a análise das “relações psicossociais com a materialidade”. A exposição traça paralelos entre o legado da arqueologia, o colonialismo e o potencial da inteligência artificial, apresentando objetos e avatares como canais que testam os limites da experiência humana ou apontam para um futuro transumano.

A leitura aqui é que a arte funciona como um laboratório para questões que permeiam o debate tecnológico e social contemporâneo. A mostra materializa discussões abstratas sobre como algoritmos nos definem, como coleções de museus perpetuam vieses sob um manto de neutralidade e como a linha entre o eu e a persona digital se dissolve.

O eu e o outro

Os artistas abordam o tema por duas vias principais. Alguns partem de uma perspectiva interna, estudando questões de identidade e auto-representação. Outros confrontam o papel de sistemas de conhecimento impostos na definição do que é (ou não) considerado humano, criticando as estruturas de poder embutidas em coleções e arquivos.

Essa dualidade reflete uma tensão central da atualidade: a busca por uma identidade autêntica em um mundo saturado de sistemas que nos categorizam. A exposição não parece interessada em oferecer respostas, mas em forçar o visitante a confrontar sua própria relação com o universo material, do smartphone no bolso às narrativas históricas que consome.

Ao conectar passados coloniais com futuros digitais, a mostra usa a fisicalidade da arte para questionar a própria imaterialidade das identidades que forjamos. A questão que permanece no ar não é trivial: no fim, o que nos define é o corpo que habitamos ou os objetos que nos cercam?

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Hyperallergic