O sentimento dos gestores de fundos com o mercado brasileiro melhorou de forma acentuada. Uma nova pesquisa do Bank of America (BofA) mostra que quase metade dos participantes (46%) já projeta o Ibovespa acima dos 200 mil pontos até o final de 2026, um patamar que representaria novas máximas históricas para a bolsa.
O otimismo de curto prazo também cresceu: 73% dos entrevistados esperam que o índice atinja 180 mil pontos ou mais até o final do ano, um salto em relação aos 34% da pesquisa anterior. A leitura, contudo, não é de euforia. O mesmo levantamento revela uma cautela pragmática que ancora as decisões de alocação no presente, criando uma dualidade entre a visão de longo prazo e a tática imediata.
Os motores do otimismo
A principal força por trás dessa visão positiva é a política monetária. A expectativa de que o Banco Central continuará o ciclo de cortes da taxa Selic é quase um consenso, com 83% dos gestores esperando ao menos mais uma redução neste ano. A queda dos juros locais aumenta a atratividade relativa da renda variável, incentivando a migração de capital.
Essa confiança, no entanto, é seletiva. A preferência dos gestores continua concentrada em setores considerados mais defensivos, como financeiro e utilities (serviços públicos). Na outra ponta, os segmentos ligados a consumo seguem preteridos, um sinal de que ainda há dúvidas sobre a força da atividade econômica e o fôlego das famílias.
O freio de mão puxado
Apesar das projeções ambiciosas, a maioria dos investidores não está com pressa para aumentar a exposição. Apenas 30% afirmaram que elevariam suas posições em ações nos níveis atuais, antes da definição do cenário eleitoral. A maior parte prefere aguardar uma correção nos preços ou maior clareza política.
O indicador mais claro dessa postura defensiva é o nível de caixa, que se manteve estável em 6%, acima da média histórica de 5,5%. Na prática, os gestores estão otimistas com a direção, mas mantêm uma reserva estratégica para navegar a volatilidade ou aproveitar oportunidades que possam surgir de uma maior instabilidade.
O cenário de juros elevados nos Estados Unidos continua sendo o principal risco externo apontado. O mercado brasileiro quer acreditar na tese de alta, mas a execução da estratégia ainda depende de uma combinação de fatores domésticos e globais que está longe de ser totalmente resolvida.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





