No final do controverso 'O Planeta dos Macacos' de 2001, o astronauta interpretado por Mark Wahlberg retorna à Terra e encontra um memorial de Abraham Lincoln... com o rosto de um símio. A cena, absurda e intencionalmente confusa, segundo o próprio diretor Tim Burton, encapsulou a recepção do filme: um projeto de grande ambição que tropeçou na própria execução.
Mais de vinte anos depois, o sentimento de estranhamento permanece, mas agora ecoa na voz do próprio protagonista. Em uma entrevista recente, Wahlberg foi categórico: não apenas não rodaria o filme uma segunda vez, como não deseja revê-lo. O alvo de seu arrependimento, no entanto, não é Burton, mas as decisões do estúdio que, segundo o ator, empurraram o diretor na "direção errada".
A declaração ilumina uma tensão clássica de Hollywood. O filme não foi um fracasso comercial; arrecadou mais de US$ 360 milhões globalmente, triplicando seu orçamento. Para o estúdio, a métrica do sucesso foi atingida. Para a crítica e, ao que parece, para seu astro, a obra permanece como uma mancha, uma curiosidade na filmografia de um diretor autoral e um ponto de inflexão na carreira de um ator em ascensão. O arrependimento de Wahlberg não é sobre o fracasso financeiro, mas sobre o tipo de sucesso que não gera orgulho.
O hiato de uma década até a franquia ser revitalizada com o aclamado 'O Planeta dos Macacos: A Origem' (2011) apenas solidificou a versão de 2001 como um beco sem saída criativo. A fala do ator hoje soa menos como uma crítica tardia e mais como uma reflexão sobre o que fica quando as luzes do set se apagam e a bilheteria fecha: a complexa e, por vezes, amarga relação de um artista com o próprio legado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





