Uma nova fase do treinamento militar para soldados ucranianos está em curso na Polônia, mas seu objetivo não é o volume. A Operação Legio, liderada pela Noruega, foca em treinar um grupo seleto de líderes e especialistas, e não em processar um grande número de recrutas básicos. A iniciativa ocorre em um campo de treinamento construído para este fim, chamado Camp Jomsborg.
A tese por trás da estratégia, reportada pelo Business Insider, é a de criar “multiplicadores de força”. Em vez de focar no treinamento direto de dezenas de milhares de soldados — uma tarefa que a própria Ucrânia executa em maior escala —, o programa qualifica indivíduos que podem, por sua vez, disseminar o conhecimento adquirido para centenas de outros militares ao retornarem ao seu país. É uma aposta na qualidade sobre a quantidade, com foco no capital humano.
Multiplicadores de força
A lógica é pragmática. Com capacidade limitada no campo de treinamento, a OTAN busca maximizar o impacto de seus esforços. Como explicou um oficial da operação, um único instrutor bem treinado pode capacitar entre 400 e 500 soldados ucranianos por ano. O efeito de treinar um pelotão de instrutores, médicos de combate e comandantes de esquadrão se torna exponencial.
Este modelo foi uma solicitação da própria Ucrânia. As forças armadas do país reconhecem sua capacidade de conduzir o treinamento básico, mas buscam nos parceiros ocidentais a expertise em áreas específicas. O foco está em táticas de liderança, processos de tomada de decisão militar e doutrinas de comando que representam uma ruptura com o legado da era soviética, ainda presente em parte de sua estrutura militar.
Uma via de mão dupla
O programa, contudo, não é uma imposição unilateral de doutrina. Oficiais envolvidos na Operação Legio descrevem um processo de aprendizado mútuo. Enquanto os instrutores ocidentais trazem os fundamentos da organização e do planejamento militar da OTAN, os soldados ucranianos trazem a experiência recente e brutal do combate moderno.
Os ucranianos, por exemplo, possuem maior domínio de táticas envolvendo drones e outras tecnologias adaptadas no campo de batalha. Essa troca enriquece o treinamento e desafia ambos os lados a se aprimorarem. A meta de longo prazo é clara: ajudar a Ucrânia a consolidar uma cultura militar mais alinhada aos padrões ocidentais, baseada na autonomia e na capacidade de adaptação de seus líderes em todos os níveis.
O esforço não visa apenas a eficácia no campo de batalha imediato, mas a construção de uma instituição militar resiliente e autossuficiente em sua capacidade de formação. A aposta da OTAN não é apenas em equipamento, mas na capacidade de liderança que irá manejá-lo.
Source · Business Insider





