Uma nova forma de ostentação, mais sofisticada e exclusiva, está se consolidando no Vale do Silício. Funcionários de gigantes como OpenAI, Google, Palantir e Uber começaram a exibir em redes sociais relógios suíços da marca Tudor, customizados com logos e gravuras internas de suas companhias. O movimento, documentado pelo Business Insider, sinaliza uma mudança cultural importante no ecossistema de tecnologia.

Ao contrário do que se poderia imaginar, os relógios — cujo valor de varejo orbita os US$ 4.500 — não são presentes corporativos. São iniciativas de grupos de funcionários que se organizam para atender ao pedido mínimo da relojoaria suíça, geralmente de 40 unidades. Cada membro paga o valor integral pelo seu item, transformando o que seria um simples acessório em um rito de passagem e um marcador de pertencimento a um clube seleto dentro da própria empresa.

Do funcional ao exclusivo

Por anos, o símbolo de status no Vale do Silício foi o colete da marca Patagonia, uma peça que comunicava uma identidade de trabalho duro, foco no produto e certo desdém pela ostentação tradicional. Era o uniforme não-oficial de uma indústria que se via como anti-establishment. A ascensão do relógio Tudor customizado representa o oposto: é um item de luxo, escasso por natureza e que funciona como um "crachá" de elite.

A dinâmica é sutil. A edição da OpenAI, por exemplo, tem a frase "Good Research Takes Time" (Boa pesquisa leva tempo) gravada no verso, um aceno compreendido apenas por quem está no círculo íntimo. O modelo do Uber, limitado a 100 peças, confere um grau de raridade que o colete jamais teve. A iniciativa parte da base, mas reflete uma cultura de exclusividade que antes era mais discreta.

Investimento e identidade

Esses relógios são mais do que meros acessórios; são ativos. Edições limitadas para funcionários da Apple e do Google já foram leiloadas por valores que superam os US$ 10.000, mais que o dobro do preço de um modelo padrão. A compra, portanto, é também um investimento, um reflexo da crescente intersecção entre a cultura tech e o mercado de colecionáveis de luxo.

O fenômeno espelha o comportamento da alta cúpula do setor. Sam Altman, CEO da OpenAI, é visto com relógios de centenas de milhares de dólares, assim como Mark Zuckerberg. O que se vê agora é a mimetização desse comportamento nos escalões abaixo, ainda que em uma faixa de preço diferente. É o amadurecimento de uma indústria cuja riqueza, antes abstrata em ações e valuations, se materializa de formas cada vez mais tradicionais.

O colete sinalizava pertencimento a uma tribo definida pela missão. O relógio suíço sinaliza pertencimento a um clube definido pelo sucesso e pelo capital. A troca de símbolos no pulso dos engenheiros e pesquisadores diz muito sobre o estado atual da cultura que molda o futuro.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider