O rugido de um V12 da Lamborghini é uma assinatura, uma declaração de propósito que ecoa muito antes de o carro ser visto. Mas o que acontece quando esse som se torna um sussurro, ou desaparece por completo? Para a icônica montadora de Sant'Agata Bolognese, o futuro da emoção automotiva não será ouvido, mas sentido.
A reflexão vem de Federico Foschini, diretor de marketing da Lamborghini. Em um mundo onde SUVs de três fileiras de assentos já superam a potência de supercarros de gerações passadas, e a física impõe um limite à aceleração — "não se pode ir de 0 a 100 km/h em zero segundos", nota ele —, a força bruta deixou de ser o principal diferencial. A emoção, segundo Foschini, precisava de um novo vocabulário.
A nova gramática do controle
Esse novo léxico é centrado no domínio. "A emoção não é apenas o som, mas também a forma como você se engaja ao dirigir", afirmou Foschini em entrevista ao site The Drive. A tese é que a verdadeira adrenalina na era pós-combustão virá da sensação de dominar uma máquina de mais de mil cavalos de potência, de sentir o carro responder com precisão milimétrica à frenagem, à mudança de marcha e ao contorno de uma curva, quase eliminando a percepção de seu peso.
Não é apenas filosofia. O novo Revuelto, por exemplo, já traduz essa visão em tecnologia com modos de condução como o "Pilota", derivado do programa de corrida GT3 da marca. O objetivo, segundo o executivo, é dar a um motorista não profissional a capacidade de "dominar" o carro, de sentir-se no controle absoluto de uma performance antes reservada apenas a pilotos de corrida.
Da transmissão à introspecção
A transição é profunda. O ronco do motor era uma transmissão externa de poder, um espetáculo para quem estava dentro e fora do carro. A nova emoção proposta pela Lamborghini é uma experiência mais íntima, um diálogo silencioso entre motorista, máquina e asfalto.
A questão que fica é se essa conexão tátil e cerebral pode, de fato, substituir a visceralidade primal de um motor em sua fúria máxima. Trata-se de uma aposta de que o futuro do desejo não está no grito, mas no sussurro preciso do controle.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Drive





