As bolsas asiáticas registraram uma alta expressiva nesta quarta-feira, com os principais índices de Tóquio e Seul avançando mais de 3%. O motor primário do otimismo foi, mais uma vez, o setor de tecnologia, com fabricantes de chips e empresas ligadas à inteligência artificial liderando os ganhos, na esteira de um rali que já havia levado os índices S&P 500 e Dow Jones a recordes em Nova York.

Contudo, a euforia setorial com a IA foi amplificada por um fator macroeconômico decisivo: a crescente expectativa de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz. A leitura do mercado é que a convergência de uma tese de crescimento secular (IA) com um alívio em um risco geopolítico sistêmico (conflito no Oriente Médio) criou o ambiente perfeito para uma forte tomada de risco.

O epicentro do chip

A análise dos papéis que mais subiram deixa claro onde está a convicção dos investidores. Empresas no coração da cadeia de suprimentos de semicondutores, como a japonesa Advantest (+8,8%), a sul-coreana SK Hynix (+5,8%) e a taiwanesa TSMC (+3,7%), foram as protagonistas. O movimento sugere que o mercado não está apenas apostando em software ou modelos de IA, mas na infraestrutura física e essencial que torna a revolução da inteligência artificial possível.

Como resumiu Neil Newman, estrategista da Astris Advisory Japan, em declaração repercutida pela imprensa, "está claro que hoje o mercado subiu com força puxado por ações de IA". Segundo ele, o foco dos investidores voltou-se massivamente para semicondutores e tecnologia. Trata-se de uma aposta concentrada, e não de um otimismo difuso por todos os setores da economia.

O fator geopolítico

Em paralelo à tese tecnológica, o mercado reagiu positivamente às sinalizações do Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre a possibilidade de um acordo com o Irã. A reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, representa uma potencial queda na volatilidade dos preços de energia e, por consequência, um alívio nas pressões inflacionárias globais.

Este cenário macroeconômico mais ameno funciona como um catalisador para ativos de crescimento, como as ações de tecnologia. A redução do risco geopolítico diminui a percepção de incerteza e o custo de capital, incentivando alocações em teses de maior potencial de retorno. O rali, portanto, não é fruto de um único fator, mas da intersecção de uma narrativa micro (a demanda por chips para IA) com um vento de cauda macro (a descompressão geopolítica).

A dinâmica desta semana nos mercados asiáticos ilustra a complexa equação que move o capital hoje. De um lado, a busca incessante por teses de crescimento estrutural, com a IA no centro. Do outro, a sensibilidade permanente aos velhos riscos da geopolítica e da energia. A questão que permanece é qual desses dois motores terá mais força para ditar o ritmo nos próximos meses.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times