Uma reportagem do Business Insider, baseada no relato de uma viajante que explorou mais de 20 cidades italianas, oferece um veredito que ressoa com um sentimento crescente no turismo global: alguns dos destinos mais celebrados, como Veneza e Nápoles, talvez não valham mais a pena uma revisita.

A análise não é um mero ranking de preferências, mas um sintoma da busca por autenticidade em um mundo pós-pandêmico. A experiência da autora ilustra a tensão entre o destino que se espera encontrar, moldado por décadas de imaginário popular, e a realidade do turismo de massa, com seus custos elevados e multidões.

O custo da fama

Os problemas apontados em Veneza são conhecidos: a sensação de superlotação, intensificada por ruas estreitas; custos de alimentação e serviços inflacionados; e a recente implementação de uma taxa de turismo, um reconhecimento oficial de que o modelo atual é insustentável. Em Nápoles, a crítica se concentrou em desafios logísticos, como a dificuldade de explorar a cidade a pé e a percepção de insegurança no transporte público, que acaba empurrando o visitante para táxis mais caros.

Esses pontos não são falhas exclusivas das cidades, mas consequências do fenômeno do "overtourism". A crítica da viajante ecoa um debate global que afeta de Barcelona a Amsterdã. O que se perde não é a beleza arquitetônica, mas a capacidade de vivenciar o lugar de forma genuína, quando a infraestrutura é totalmente voltada para um fluxo incessante de visitantes.

A recompensa da descoberta

Em contrapartida, a reportagem celebra destinos que oferecem uma imersão mais profunda. Verona é elogiada por ser caminhável e "encantadora", oferecendo experiências únicas como o voluntariado no Club di Giulietta, onde se respondem cartas enviadas a Julieta de todo o mundo. Florença mantém seu apelo pelo equilíbrio entre os grandes museus e a vida local pulsante em mercados como o de Santo Spirito.

Outros destaques incluem Cinque Terre, pela combinação de natureza e cultura, e Catânia, na Sicília. A cidade ao pé do vulcão Etna ilustra como a geografia e a economia local — no caso, a produção de vinho em solo vulcânico — criam uma identidade única. São essas camadas de autenticidade, difíceis de replicar ou massificar, que a viajante moderna parece buscar.

A escolha de um roteiro de viagem torna-se, assim, um ato estratégico. A lição que fica não é a de demonizar destinos famosos, mas de questionar o que se busca em uma jornada. Para o viajante, a Itália mais memorável talvez não esteja em uma gôndola congestionada, mas em uma experiência que conecte, de fato, com a cultura e o ritmo do lugar.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider