Greg Abel, o sucessor de Warren Buffett no comando da Berkshire Hathaway, fez sua primeira grande jogada sem dizer uma palavra. Documentos regulatórios recentes revelaram que a gigante de investimentos recomprou US$ 4,5 bilhões em ações próprias no último trimestre.

O movimento é significativo não apenas pelo volume, mas pelo timing. A recompra ocorreu enquanto os papéis da Berkshire atingiam suas máximas históricas, um ato que, segundo a própria política da empresa, só acontece quando o CEO acredita que o preço está abaixo do “valor intrínseco, determinado de forma conservadora”. É uma aposta bilionária na própria gestão.

A aposta no próprio taco

A estratégia de Abel contrasta com a de seu predecessor nos últimos anos. Buffett acumulou um caixa de quase US$ 380 bilhões, relutante em investir em um mercado que considerava supervalorizado. Ao usar parte desse montante para comprar os próprios papéis da companhia, Abel não apenas inicia o desinvestimento desse caixa, mas sinaliza ao mercado uma confiança inabalável no futuro da Berkshire sob seu comando. A mensagem é clara: ele acredita que pode gerar um retorno maior do que o preço recorde atual das ações sugere.

O peso do oráculo

Substituir uma lenda como o “Oráculo de Omaha” é uma tarefa monumental, onde cada passo é examinado à lupa. Em vez de competir com o carisma e a retórica de Buffett, Abel opta por uma liderança de atos, não de palavras. A recompra de ações é uma demonstração de “skin in the game” que fala mais alto que qualquer entrevista ou carta a acionistas. Ele está usando a linguagem que Wall Street entende melhor: o capital.

A tese parece estar funcionando. Analistas têm elevado a recomendação das ações da Berkshire de “manter” para “comprar”, e os papéis acumulam alta no ano, desafiando a ideia de que a empresa perderia valor sem Buffett no dia a dia. A nova era da Berkshire pode ser mais silenciosa, mas os primeiros sinais indicam que não será menos assertiva.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company