A BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, voltou a recomendar uma posição overweight — equivalente à compra — para ações de mercados emergentes. O movimento representa uma mudança tática e um reforço na sua visão de maior exposição ao risco, mesmo em um cenário de juros globais mais elevados.

A tese da gestora, detalhada em seu comentário semanal, é que os fundamentos superam os ventos contrários. Para a equipe liderada pela estrategista-chefe Wei Li, o crescimento robusto dos lucros corporativos e, crucialmente, a ascensão da inteligência artificial justificam a aposta, criando uma nova narrativa para a classe de ativos.

A Tese da Inteligência Artificial

O principal argumento para a mudança de recomendação é a conexão dos emergentes com a cadeia de valor da IA. A BlackRock aponta que esses mercados oferecem diferentes portas de entrada para capturar o crescimento do setor. Países como Coreia do Sul e Taiwan são centrais no fornecimento de semicondutores e hardware, componentes essenciais para a infraestrutura de IA.

Enquanto isso, a América Latina, incluindo o Brasil, é vista como fornecedora de recursos naturais e da infraestrutura física necessária para a expansão dos data centers e da capacidade computacional global. Essa visão conecta mercados geograficamente distintos sob um mesmo tema estrutural, deslocando o foco da tradicional tese de commodities ou consumo doméstico.

O Fator Valuation

Além da narrativa de IA, a matemática financeira sustenta a recomendação. A BlackRock destaca que, enquanto as projeções de consenso apontam para um crescimento de mais de 34% no lucro por ação das empresas do índice MSCI Emerging Markets nos próximos 12 meses, o avanço para o MSCI USA é de cerca de 20%.

Apesar do crescimento superior, as ações de emergentes negociam com um desconto de aproximadamente 50% em relação às americanas — cerca de 10 vezes o lucro projetado, contra 20 vezes nos EUA. A gestora ressalta que o múltiplo atual dos emergentes está entre os mais baixos dos últimos 20 anos, configurando uma oportunidade de valor.

A recomendação não depende de uma eventual fraqueza do dólar, embora isso pudesse servir como um catalisador adicional. A gestora, no entanto, mantém a cautela sobre riscos como tensões geopolíticas e pressões inflacionárias, indicando que a aposta é calculada, não isenta de incertezas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times