O fundo dinamarquês Copenhagen Infrastructure Partners (CIP) confirmou o fechamento financeiro de seu primeiro grande projeto no México: um investimento de US$ 510 milhões para construir a usina ‘La Esperanza Solar’. Localizado no estado de Campeche, o projeto é um híbrido que combina uma capacidade de geração solar fotovoltaica de 420 MW com um robusto sistema de armazenamento em baterias de 150 MW.

A decisão de investimento, ancorada pelo fundo Growth Markets Fund II do CIP, representa um marco para a expansão da gestora na América Latina e um voto de confiança no mercado mexicano de renováveis. A estrutura do projeto, que une geração e armazenamento em larga escala, aponta para uma nova fase de sofisticação na infraestrutura energética da região, projetada para dar mais estabilidade à rede elétrica, segundo informações da Forbes España.

Estratégia, risco e estrutura

O grande diferencial de ‘La Esperanza Solar’ não está apenas na sua escala, mas na integração com um sistema de armazenamento de 750 MWh. Essa combinação é crucial para resolver um dos principais desafios da energia solar: a intermitência. Ao armazenar energia, a usina pode injetar eletricidade na rede mesmo quando não há sol, garantindo um fornecimento mais estável e flexível, especialmente para a península de Yucatán. A sofisticação do projeto foi chave para atrair um consórcio de bancos de primeira linha, como JPMorgan, Santander e BNP Paribas, para a linha de dívida de US$ 510 milhões.

O risco regulatório, uma preocupação constante para investidores em energia na América Latina, parece ter sido mitigado por dois fatores. Primeiro, um contrato de compra de energia de longo prazo (PPA, na sigla em inglês) com a CFE Calificados, braço da estatal Comissão Federal de Electricidade. Segundo, a participação da Profuturo, uma das principais gestoras de fundos de pensão do México, como coinvestidora. Essa combinação de capital estrangeiro, parceiros locais e um contrato com o governo sinaliza um modelo para destravar projetos de infraestrutura complexos.

Com a construção já em andamento e a operação prevista para 2028, o projeto do CIP no México não é apenas uma aposta em energia limpa. É um teste para a capacidade do país de atrair e executar investimentos de capital intensivo em um setor estratégico e em plena transformação.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España