A corrida para incorporar lições da guerra na Ucrânia e automatizar o campo de batalha encontra uma dose de realismo nos quartéis britânicos. O comandante de um batalhão do Exército Britânico focado em experimentação tecnológica concluiu, após testar dezenas de veículos terrestres não tripulados (UGVs), que sua utilidade é restrita e seus desafios, numerosos. A reportagem é do Business Insider.

Segundo o Tenente-Coronel John Black, que liderou os testes em um exercício militar nos Estados Unidos, a visão de exércitos robóticos autônomos ainda pertence mais à teoria do que à prática. A questão não é se os robôs podem ser usados em combate, mas quão viáveis eles são em cenários reais, onde a simplicidade e a confiabilidade superam a sofisticação tecnológica.

Do PowerPoint à trincheira

A lista de problemas práticos identificados pelos militares britânicos é extensa. Em primeiro lugar, a logística: UGVs de médio e grande porte exigem reboques ou caminhões para transporte, adicionando um fardo significativo a unidades que precisam de mobilidade. A energia é outro gargalo, demandando baterias extras, geradores ou retornos constantes a pontos de recarga, o que compromete a autonomia operacional. O controle remoto é frágil, suscetível a falhas de conexão, e a navegação em terrenos acidentados se provou um obstáculo intransponível para a maioria dos sistemas. Segundo Black, obstáculos simples "confundem" os robôs. A autonomia, antes vista como o futuro, mostrou-se "impraticável" em muitos casos, levando fabricantes a recuar da oferta por encarecer e complicar o uso dos equipamentos.

Ferramenta de nicho, não panaceia

Apesar das limitações, os UGVs encontraram seu lugar. Na Ucrânia, são usados para levar suprimentos a áreas de alto risco, as chamadas "zonas da morte", e em operações ofensivas pontuais. O valor, portanto, reside em missões onde o objetivo principal é manter um soldado fora de perigo. Ações de desminagem ou de rompimento de posições fortificadas, tarefas extremamente perigosas, são os casos de uso ideais. Nestes cenários, os robôs não representam uma revolução na estrutura da força, mas uma evolução de tecnologias de controle remoto que já existem há décadas. A conclusão de Black é que os UGVs são uma ferramenta de nicho, eficaz para tarefas específicas, mas longe de ser uma solução universal para os desafios do combate moderno.

A corrida armamentista tecnológica continua, mas os testes britânicos servem como um lembrete pragmático. A integração de novas tecnologias no campo de batalha depende menos da capacidade teórica e mais da robustez logística e operacional. O futuro da guerra terrestre certamente incluirá mais máquinas, mas a lição que emerge é que o design dessas ferramentas precisa partir das duras realidades do terreno, e não de uma visão idealizada em um laboratório.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider