Akio Toyoda, então CEO da Toyota, não estava ao volante de um carro, mas de um simulador. Em poucos minutos, nas pistas virtuais de Gran Turismo, ele deu luz verde não para um projeto, mas para um sonho. O carro em questão era o FT-1, um conceito radical criado pelo Calty, o estúdio de design avançado da Toyota na Califórnia. Aquele momento, no entanto, foi tanto o clímax de uma aposta ousada quanto o início de uma série de duros compromissos.
Segundo Alex Shen, designer-chefe do estúdio, o FT-1 nasceu como um projeto de paixão, sem qualquer expectativa de produção. Numa era em que carros esportivos eram vistos como passivos financeiros, a equipe do Calty sabia que apenas um desenho, por mais espetacular que fosse, não convenceria a diretoria. A solução foi um 'hack' corporativo: em parceria com a Polyphony Digital, desenvolvedora de Gran Turismo, eles transformaram o conceito em uma experiência de pilotagem virtual. “Você precisa dirigir esses carros. Deve ser visceral”, afirmou Shen em entrevista ao The Drive. A aposta funcionou. A aprovação de Toyoda, um piloto entusiasta, destravou a construção do carro-conceito para exibição.
Da tela para o asfalto, porém, a jornada é longa e cheia de concessões. O passo seguinte envolveu uma realidade inescapável: o Supra de produção seria construído sobre uma plataforma compartilhada com a BMW. A visão pura e sem amarras do FT-1 precisou ser reconciliada com as restrições físicas de um chassi pré-existente e as metas financeiras de um programa que, na prática, não tinha como objetivo gerar lucro. O resultado, a quinta geração do Toyota Supra, chegou às ruas como uma tradução possível, não literal, daquele arroubo digital. Com sua produção já encerrada e sem um sucessor direto à vista, fica a reflexão sobre o que se perde — e o que se ganha — quando uma ideia pura encontra o mundo real.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Drive





