As aeronaves que ostentam o distintivo "Air Force One" são muito mais do que meros meios de transporte para o presidente dos Estados Unidos. Elas são, em si, artefatos históricos, testemunhas silenciosas de momentos cruciais na política americana e na história mundial. A 89ª Ala de Transporte Aéreo, sediada na Base Conjunta Andrews, em Maryland, é responsável pela frota VIP que leva o presidente, o vice-presidente, membros do Gabinete e outros altos funcionários. Quando essas aeronaves são retiradas de serviço e substituídas por modelos mais novos, seu destino é frequentemente o de serem adquiridas por museus de aviação e bibliotecas presidenciais.
Um Legado em Exposição
A trajetória das aeronaves presidenciais aposentadas revela um padrão de preservação histórica. O Douglas VC-54C Skymaster, oficialmente "The Flying White House" e apelidado de "Sacred Cow", serviu de 1945 a 1961, sendo o primeiro avião construído especificamente para uso presidencial. Ele transportou presidentes como Franklin D. Roosevelt e Harry Truman e hoje repousa na Galeria Presidencial William E. Boeing, no Museu Nacional da Força Aérea dos EUA, em Dayton, Ohio. Da mesma forma, "The Independence", nomeado em homenagem à cidade natal de Truman, também encontra seu lugar no mesmo museu. Outro exemplar notável é o Lockheed Constellation, "Columbine II", que foi a primeira aeronave a usar o indicativo "Air Force One" durante o mandato do presidente Dwight D. Eisenhower, entre 1953 e 1954. Após sua aposentadoria em 1968, ele se tornou a única aeronave presidencial vendida a um proprietário particular e está atualmente em restauração na Virgínia.
O "Columbine III", uma versão militarizada do Lockheed L-1049 Super Constellation, voou com Eisenhower até 1961 e também está no Museu Nacional da Força Aérea dos EUA. O Aero Commander U-4B, que o presidente Eisenhower utilizava pessoalmente em voos curtos, compartilha o mesmo destino. "Freedom One", um Boeing VC-137B, conhecido por transportar os reféns americanos do Irã de volta aos EUA em 1981, está exposto no Pima Air and Space Museum, em Tucson, Arizona. O SAM 970, o primeiro jato a servir como Air Force One, transportou presidentes como John F. Kennedy e Richard Nixon, e agora reside no Museum of Flight, em Seattle. O Douglas VC-118A Liftmaster, o último avião a hélice na frota presidencial, usado por Kennedy e Johnson, também está no Pima Air and Space Museum.
As aeronaves mais modernas também seguem caminhos semelhantes. O Boeing VC-137C, SAM 26000, transportou oito presidentes, de Kennedy a Bill Clinton, e foi palco da posse de Lyndon B. Johnson após o assassinato de Kennedy. Seu design icônico, com a pintura azul e branca, foi criado por Raymond Loewy e influenciou aeronaves subsequentes, e hoje está no Museu Nacional da Força Aérea dos EUA. O "Lady Bird Special", um Beechcraft King Air B90 (VC-6A), usado pela família Johnson, também está no museu em Dayton, Ohio. O VC-9C, que serviu primariamente como Air Force Two transportando vice-presidentes e primeiras-damas por mais de três décadas, pode ser visto no Air Mobility Command Museum em Dover, Delaware. O SAM 27000, um Boeing 707 VC-137C que serviu a presidentes como Nixon, Reagan e George W. Bush, está em exibição na Biblioteca Presidencial Ronald Reagan, na Califórnia. Por fim, o Gulfstream Aerospace C-20B, um jato executivo militarizado, utilizado por presidentes como Clinton e ex-presidentes como Ford e Carter, também faz parte do acervo no Museu Nacional da Força Aérea dos EUA.
Da Preservação ao Desmonte
No entanto, nem todas as aeronaves aposentadas encontram um fim tão honroso. Algumas acabam em "boneyards" (cemitérios de aviões), locais onde são desativadas e, em muitos casos, desmontadas para aproveitamento de peças. A decisão de onde uma aeronave específica irá pousar após o serviço ativo depende de uma série de fatores, incluindo seu estado de conservação, seu significado histórico e a disponibilidade de espaço e recursos em museus ou bibliotecas.
A preservação dessas aeronaves é um esforço logístico e financeiro significativo, mas reflete o valor que a sociedade americana atribui à sua história presidencial. Museus como o Museu Nacional da Força Aérea dos EUA e a Biblioteca Presidencial Ronald Reagan desempenham um papel crucial em manter essas peças de engenharia e história acessíveis ao público. A forma como os Estados Unidos escolhem honrar seus meios de transporte presidencial diz muito sobre sua relação com o passado. A preservação é um ato de memória coletiva, garantindo que as histórias de liderança, decisões e momentos históricos que ocorreram a bordo continuem a ser contadas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





