O OnlyFans está em uma missão para redefinir sua identidade. A plataforma, que se tornou um fenômeno cultural e financeiro ao monetizar conteúdo adulto, agora quer ser vista como uma infraestrutura de negócios para toda a economia da criação. Em um evento da Fast Company, a CEO Kelly Blair foi direta: o objetivo é ser uma espécie de “Shopify para conteúdo”, oferecendo as ferramentas para que qualquer criador transforme sua audiência em um negócio.

A ambição é lastreada por números robustos. A empresa londrina já pagou US$ 30 bilhões a seus 5 milhões de criadores, que atendem a uma base de 430 milhões de contas de fãs. A tese editorial aqui é que essa diversificação não é apenas uma questão de imagem, mas uma necessidade estratégica. Para uma companhia que, nas palavras de sua CEO, “nem sempre tem acesso à rota direta”, construir um ecossistema diversificado e menos controverso é um caminho para a resiliência e o crescimento de longo prazo.

A infraestrutura do criador-empreendedor

A analogia com o Shopify é a chave para entender o futuro que o OnlyFans almeja. A ideia é ir além da simples hospedagem e paywall, fornecendo um conjunto de soluções que sustentem o “criador-empreendedor”. Isso inclui desde o processamento de pagamentos até, mais recentemente, planos de expansão para serviços financeiros. O objetivo é se tornar o sistema operacional para quem vive de conteúdo, independentemente do nicho. O caso de um grupo de pesquisadores que arrecadou mais de US$ 150 mil para estudar marmotas com conteúdo familiar na plataforma (no perfil OnlyMarms) serve como um poderoso estudo de caso para essa nova tese.

Contudo, o desafio da percepção permanece. Blair reconhece que é preciso “uma certa ousadia” para estar no OnlyFans, seja como criador ou parceiro de negócios. A marca foi construída sobre o disruptivo e o provocador, e essa herança não pode ser simplesmente apagada. A estratégia, portanto, não é negar suas origens, mas argumentar que as mesmas ferramentas que empoderaram uma indústria podem servir a comediantes, atletas, chefs e especialistas. A plataforma se posiciona como o lugar para quem quer ser provocador, mesmo que o conteúdo em si não seja explícito.

O futuro do OnlyFans dependerá de sua capacidade de convencer uma nova safra de criadores de que o poder de suas ferramentas de negócio supera o estigma associado à sua marca. É um teste fascinante sobre se uma empresa pode, de fato, pivotar de suas raízes ou se estará para sempre definida por elas. A incursão no setor de serviços financeiros será o próximo e talvez mais importante capítulo dessa jornada.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company