A Oobit anunciou a expansão de suas operações para a Guatemala e o Paraguai, marcando a chegada da plataforma ao décimo e décimo primeiro país na América Latina. A empresa, que se diferencia pelo modelo não custodial, permite que usuários realizem pagamentos diretamente de carteiras como Phantom, MetaMask e Trust Wallet, enquanto lojistas recebem o valor convertido em moeda local.

Segundo dados da companhia, a estratégia reflete uma mudança no perfil de uso de ativos digitais na região. Em vez de focar exclusivamente em mesas de trading, a Oobit observa um crescimento expressivo no uso diário de criptomoedas para compras em mercados, restaurantes e serviços de transporte, consolidando a adoção prática dessas tecnologias em mercados emergentes.

O modelo não custodial como diferencial competitivo

A arquitetura da Oobit elimina a necessidade de que o usuário deposite ativos em um custodiante centralizado para realizar transações. Esse modelo, baseado na integração técnica com carteiras digitais populares, reduz a fricção e aumenta a percepção de segurança para o consumidor final, que mantém o controle sobre suas chaves privadas até o momento do pagamento.

Para o lojista, a proposta de valor reside na liquidação em moeda fiduciária local, removendo a volatilidade e a complexidade técnica de gerenciar ativos digitais. A empresa sustenta que esse arranjo é essencial para a massificação do uso de criptomoedas no comércio local, onde a agilidade e a simplicidade são requisitos fundamentais para a aceitação pelo varejo.

Dinâmicas de mercado e adoção na América Latina

A expansão ocorre em um cenário de aceleração da adoção cripto na região, impulsionada em grande parte pelo uso de stablecoins. Na Guatemala, as remessas internacionais representam quase 20% do PIB, e o país apresentou um projeto de Lei de Criptomoedas em maio de 2025, sinalizando um ambiente regulatório em evolução. O Paraguai, por sua vez, registrou um crescimento de 52% no setor no segundo trimestre de 2025.

Os indicadores da Oobit mostram que o gasto médio diário por usuário subiu de aproximadamente US$ 80 em março para cerca de US$ 200 em junho de 2026. Esse aumento, acompanhado por um crescimento de 97,7% no gasto mensal por usuário em maio, sugere que a infraestrutura de pagamentos está suprindo uma demanda reprimida por liquidez digital.

Tensões e implicações para o ecossistema

A estratégia de expansão da Oobit levanta questões sobre a interoperabilidade e a regulação em mercados com maturidades distintas. Enquanto o Brasil se mantém como o principal mercado da empresa, com 61% da base de usuários, a entrada em países como a Guatemala exige uma adaptação constante às diretrizes locais de combate à lavagem de dinheiro e conformidade tributária.

A concorrência por esse mercado de pagamentos cotidianos também tende a se intensificar. Com a integração de pagamentos via Pix no Brasil e o programa de cashback OOB, a empresa tenta criar um ecossistema de fidelidade que incentive a retenção dos usuários, enfrentando o desafio de transformar a volatilidade dos ativos digitais em uma ferramenta estável de troca.

Perspectivas para a infraestrutura de pagamentos

O futuro da Oobit na região dependerá da capacidade de manter a escalabilidade do modelo sem comprometer a experiência do usuário ou enfrentar barreiras regulatórias imprevistas. A observação dos próximos trimestres será crucial para entender se o crescimento do gasto médio é sustentável ou se está atrelado a incentivos temporários.

O mercado aguarda para ver como a empresa lidará com a fragmentação regulatória da América Latina. A continuidade da expansão regional sugere um otimismo da gestão quanto à infraestrutura de pagamentos cripto, mas a dependência de stablecoins como protagonistas levanta pontos de atenção sobre a estabilidade desses ativos em cenários de estresse financeiro.

A consolidação da Oobit na Guatemala e no Paraguai não encerra o plano de expansão, que já inclui a Colômbia. O sucesso da companhia servirá como um termômetro para a viabilidade de modelos de pagamentos cripto não custodiantes em economias que buscam alternativas digitais para remessas e transações diárias.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · TIInside