A OpenAI está tentando mudar a percepção pública sobre seus futuros data centers, um tipo de instalação que frequentemente encontra resistência em comunidades locais. Em vez de "data centers", a empresa agora se refere a eles como "compute campuses". Essa mudança de nomenclatura, acompanhada por um "Pacto Comunitário Nacional", visa apaziguar preocupações sobre o impacto dessas estruturas, prometendo, entre outras coisas, que a empresa arcará com seus próprios custos de energia, divulgará os impactos de suas instalações e permitirá que os residentes opinem sobre o desenvolvimento de novos locais.

A iniciativa surge em um momento delicado: apenas dois dias antes do anúncio, eleitores em 41 medidas eleitorais relacionadas a data centers em 10 estados rejeitaram propostas de desenvolvimento ou impuseram restrições, segundo a Ballotpedia. Chris Lehane, Diretor Global de Assuntos da OpenAI, reconheceu que os data centers se tornaram um ponto focal para questões mais amplas como custo de vida, poder corporativo e a perda de controle das comunidades sobre seu futuro. A aposta da OpenAI é que essa nova abordagem de comunicação e compromisso possa reverter a maré de desconfiança, pois o crescimento da empresa depende intrinsecamente da capacidade de construir essas enormes instalações em locais onde a população questiona os benefícios e os riscos.

O Muro da Desconfiança

A estratégia de "compute campuses" é mais do que uma simples mudança de imagem; é uma tentativa de redefinir o papel econômico dessas instalações. A OpenAI argumenta que o equipamento especializado e as atualizações de hardware contínuas geram uma demanda sustentada por mão de obra qualificada e fornecedores locais, promovendo um desenvolvimento econômico duradouro. A empresa se comprometeu a apoiar empregos locais e a dar voz às comunidades na construção de suas instalações. No entanto, especialistas em branding, como Allen Adamson, veterano estrategista de marca, expressam ceticismo. Ele compara a mudança de nome a outras tentativas de empresas de tecnologia de se distanciarem de controvérsias, como o rebranding do Facebook para Meta, sugerindo que "não se pode renomear um problema para resolvê-lo". Adamson argumenta que a renomeação só funciona quando acompanhada por melhorias concretas no produto ou serviço, e questiona a evocação do termo "campus" para instalações que abrigam principalmente servidores e equipamentos, em vez de um centro de pesquisa e desenvolvimento de IA.

Promessas e Parcerias Locais

O "Pacto Comunitário Nacional" da OpenAI detalha compromissos específicos, como a publicação de planos de construção, a realização de estudos independentes de ruído e o relato do uso de água e eletricidade. A empresa também se compromete a não exigir acordos de confidencialidade de funcionários públicos em negociações, permitindo apenas proteções limitadas para informações sensíveis. Além disso, a OpenAI se dispõe a cobrir os custos de eletricidade e infraestrutura adicional, com garantias financeiras para proteger outros clientes em caso de atrasos ou cancelamentos de projetos. Exemplos concretos desses compromissos incluem um investimento de US$ 80 milhões em Effingham County, Geórgia, com uma doação de US$ 4,8 milhões para refeições escolares gratuitas, e um compromisso conjunto de US$ 6 milhões em Pike County, Ohio, para apoiar o desenvolvimento de creches. Essas ações buscam construir boa vontade, lembrando iniciativas de figuras históricas como Andrew Carnegie e Andrew Mellon, que investiram em instituições públicas para moldar suas reputações.

O Desafio da Big Tech

Outras gigantes da tecnologia, como Amazon e Microsoft, também têm implementado programas de investimento comunitário e treinamento para empregos em data centers. A Amazon anunciou um investimento de US$ 1 bilhão em comunidades de data centers, e a Microsoft oferece bolsas de estudo através de sua Datacenter Academy. No entanto, a desconfiança generalizada em relação às grandes empresas de tecnologia, ou "Big Tech", permanece um obstáculo significativo. Brendan Steinhauser, estrategista republicano, sugere que, apesar dos investimentos e da boa vontade que podem gerar a longo prazo, o ceticismo inerente do público em relação a essas corporações pode superar qualquer esforço de rebranding. A OpenAI também está pedindo aos formuladores de políticas que estabeleçam regras para toda a indústria, propondo requisitos mais amplos para que grandes consumidores de eletricidade cubram os custos que adicionam à rede e relatem publicamente os impactos locais de suas instalações. Especialistas como Mark MacCarthy, do Brookings Institution, ressaltam que a responsabilidade de garantir que os lares não paguem pelos custos energéticos dos data centers recai sobre os legisladores estaduais e reguladores, pois a confiança pública já foi erodida ao ponto em que a mudança de terminologia por si só tem pouca chance de ser eficaz.

A estratégia da OpenAI de renomear seus data centers para "compute campuses" e oferecer benefícios comunitários é uma tentativa clara de gerenciar a percepção pública e obter aprovação para sua expansão. Contudo, a eficácia dessa tática de relações públicas em superar a profunda desconfiança em relação às grandes empresas de tecnologia e os impactos ambientais e sociais dos data centers permanece incerta, com analistas apontando que a substância das ações e a transparência contínua serão cruciais para qualquer mudança real na opinião pública.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune