O recente anúncio do presidente Donald Trump sobre a permissão do uso de diesel tingido em estradas e o adiamento do imposto federal sobre o combustível gerou discussões sobre seu real impacto econômico. A ordem executiva, que visa aliviar a pressão sobre caminhoneiros e agricultores em meio a preços recordes do diesel, foi apresentada como um corte de impostos. Contudo, economistas e especialistas em energia apontam que a medida é, na verdade, um adiamento do pagamento de um imposto de 24,4 centavos por galão, sem qualquer impacto na oferta de combustível.

O que é o diesel tingido e a ordem executiva?

O diesel tingido de vermelho é quimicamente idêntico ao diesel comum, mas sua coloração serve como um marcador visual para garantir que seja utilizado exclusivamente em aplicações fora de estrada, como em veículos agrícolas e de construção. Essa distinção permite que o combustível seja comercializado sem a incidência do imposto federal sobre o diesel rodoviário, que atualmente é de 24,4 centavos por galão. A ordem executiva de Trump, assinada em outubro de 2026, determinou que o Departamento do Tesouro adiasse o pagamento desse imposto sem juros ou multas até o final do ano, enquanto explorava a possibilidade de sua eliminação total. O próprio presidente admitiu desconhecimento sobre o combustível, mas o apresentou como uma medida benéfica.

Por que economistas questionam a medida?

Especialistas como Alan Krupnick, do Resources for the Future, e Gilbert Metcalf, da MIT Sloan School of Management, explicam que a ordem executiva não altera a dinâmica fundamental de oferta e demanda. A produção de diesel em refinarias americanas já opera perto de sua capacidade máxima, o que significa que a liberação do diesel tingido para uso rodoviário não resultará em mais combustível disponível no mercado. Pelo contrário, ao permitir que o diesel antes restrito ao uso off-road seja agora utilizado em estradas, o movimento pode criar uma escassez relativa para os setores que dependem dele para suas operações diárias. Isso poderia, paradoxalmente, elevar os custos para agricultores e empresas de construção, que já enfrentam preços elevados.

Implicações para agricultores e o mercado

A principal preocupação reside no impacto para os agricultores, que estão no meio da colheita e dependem de diesel para operar tratores e colheitadeiras. Se o diesel tingido, que eles compram com isenção fiscal, for desviado para o mercado rodoviário, o preço efetivo para eles pode aumentar. A alta recente nos preços do diesel é atribuída a conflitos globais, como a guerra na Ucrânia e tensões no Oriente Médio, que afetam o transporte de petróleo e a capacidade de refino. Uma medida que não adiciona oferta e apenas redistribui a demanda existente tem poucas chances de oferecer um alívio sustentado, podendo até mesmo agravar a situação para alguns setores.

Perguntas em aberto e o futuro do diesel

A eficácia da ordem executiva de Trump em reduzir os custos para os consumidores e o setor de transportes ainda é incerta. A isenção fiscal temporária, mesmo que integralmente repassada, representa uma pequena porcentagem dos atuais preços do diesel. A verdadeira solução para a volatilidade dos preços do diesel reside na estabilização da produção global e na resolução das tensões geopolíticas que afetam o fornecimento. A medida de Trump, embora bem-intencionada, pode ser uma solução de curto prazo que ignora as complexidades do mercado de energia. Resta observar se o Tesouro conseguirá, de fato, eliminar o imposto diferido e quais serão as consequências a longo prazo para os preços e a disponibilidade do combustível.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fortune