Assim como os dinossauros não foram extintos, mas evoluíram para as aves, os "dinossauros cósmicos" observados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST) podem ter seguido um caminho semelhante. Uma nova pesquisa sugere que os misteriosos "Little Red Dots" (LRDs, ou pequenos pontos vermelhos), abundantes no universo primitivo, não desapareceram, mas se transformaram em estruturas bem conhecidas hoje: os aglomerados globulares.

O enigma surgiu em 2022, quando o JWST começou a identificar esses objetos em grande número, cerca de 600 milhões de anos após o Big Bang. O que intrigava os astrônomos é que eles parecem sumir do registro cósmico antes que o universo atingisse 2 bilhões de anos. A nova teoria, proposta por pesquisadores da Universidade do Texas em Austin, oferece uma explicação elegante: os LRDs não são uma anomalia extinta, mas uma fase na vida de algo muito maior.

Uma nova identidade para um velho conhecido

A hipótese central é que os LRDs são, na verdade, aglomerados globulares em formação, com uma estrela supermassiva — um corpo estelar hipotético com até 10 mil vezes a massa do Sol — em seu núcleo. Essa estrela de vida curta seria a responsável pela aparência compacta e avermelhada do objeto. Mais importante, ela resolveria um antigo quebra-cabeça sobre a composição química dos aglomerados globulares modernos, como os mais de 150 que orbitam nossa Via Láctea.

Estrelas nesses aglomerados possuem uma assinatura química peculiar, com abundância de elementos como hélio e nitrogênio, mas carência de carbono e oxigênio. Esse padrão exige temperaturas de fusão nuclear muito mais altas do que as encontradas em estrelas normais. Uma estrela supermassiva, formada por colisões e fusões em um ambiente estelar denso, seria precisamente o tipo de motor capaz de forjar esses elementos.

Conectando os pontos (vermelhos)

O aparente desaparecimento dos LRDs também encontra uma explicação lógica neste modelo. A estrela supermassiva em seu centro teria uma vida útil de apenas um milhão de anos. Ao morrer em uma explosão de supernova, ela não apenas semearia o aglomerado com os elementos químicos recém-formados, mas também faria com que o objeto perdesse sua aparência característica de "ponto vermelho". O aglomerado em si, no entanto, sobreviveria por bilhões de anos, evoluindo para a forma que vemos hoje.

A teoria se apoia em outras evidências circunstanciais. A distribuição e a massa estimadas dos LRDs no universo primitivo são consistentes com os modelos de evolução dos aglomerados globulares. O momento de seu surgimento, por volta de 600 milhões de anos após o Big Bang, também coincide com o período em que se acredita que os aglomerados começaram a se formar.

Ainda não há uma prova definitiva, como admitem os próprios pesquisadores. Contudo, a proposta de que os LRDs são aglomerados globulares nascentes oferece uma solução unificada e poderosa para dois mistérios distintos da cosmologia. O James Webb, mais uma vez, não entrega respostas fáceis, mas sim as peças para quebra-cabeças muito mais interessantes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Space.com