A Europa dá um passo firme em direção à soberania espacial com a formação de um consórcio liderado pela startup francesa OSMOS X. Financiado pelo Fundo Europeu de Defesa (EDF) com cerca de €4,5 milhões (US$5 milhões), o projeto de 30 meses tem como objetivo principal estudar e desenvolver capacidades de defesa tática no espaço, em resposta a um cenário geopolítico cada vez mais tenso em órbita.
O consórcio reúne sete organizações de ponta de toda a Europa, incluindo a ArcSpace e o CNRS da França, a KINETIK Space da Alemanha, a Universidade de Tecnologia de Poznań na Polônia e o Politecnico di Milano na Itália. A iniciativa, embora focada em um estudo preliminar sem envio imediato de hardware para o espaço, aborda uma necessidade crescente e urgente: a capacidade de responder a ameaças em órbita. A recente proximidade de um satélite russo a uma nave da ICEYE, que monitora a Ucrânia, serviu como um alerta vívido sobre a vulnerabilidade europeia e a falta de ferramentas para conter tais ações.
Capacidade de Ação em Órbita
O principal objetivo do projeto é desenvolver um veículo espacial capaz de se aproximar, capturar e manipular satélites adversários. A tecnologia em estudo prevê a aplicação de técnicas como soldagem espacial para desativar ameaças ou alterar suas órbitas, tudo isso sem a geração de detritos espaciais — um problema crescente que pode comprometer o ambiente orbital para todos.
O CEO da OSMOS X, Arnaud Masson, destacou que o Fundo Europeu de Defesa está alinhado com o propósito de demonstrar a capacidade da União Europeia em observar, escutar e agir no espaço. A visão é clara: criar um sistema que possa neutralizar a capacidade de espionagem de adversários ou forçá-los a órbitas inofensivas, garantindo a segurança das operações espaciais aliadas. A capacidade de acoplar dispositivos como bloqueadores (jammers) ou sistemas de propulsão em satélites não cooperativos é um dos focos da pesquisa.
A Corrida Tática no Espaço
Apesar de a OSMOS X ainda não ter voado em missão espacial, a empresa previa validar seu sistema de propulsão de alta potência em uma missão de demonstração até o final de 2025. Este sistema, que visa atingir 12.000 m/s de delta-V total, será a espinha dorsal das futuras naves de defesa propostas. A expectativa é que, após a conclusão do estudo, nações europeias comecem a encomendar essas naves em larga escala.
Contrariando a ideia de uma proliferação massiva de satélites de defesa, a OSMOS X acredita que um pequeno número de naves pode ser suficiente. A estratégia de cobertura da Órbita Geoestacionária (GEO) prevê apenas quatro satélites, capazes de alcançar qualquer posição em menos de dois dias. Este cenário, com a substituição de duas naves a cada dois anos, garante uma presença constante e ágil para responder a qualquer ameaça emergente.
Implicações para a Defesa Europeia
Este investimento do Fundo Europeu de Defesa sinaliza uma mudança estratégica na abordagem da Europa em relação à segurança espacial. Ao focar em capacidades de ação direta em órbita — e não apenas em monitoramento passivo —, o bloco europeu busca reduzir sua dependência de aliados e construir uma postura de dissuasão própria no domínio espacial. Para a OSMOS X, liderar esse consórcio representa não apenas um voto de confiança institucional, mas também a oportunidade de posicionar a Europa na vanguarda de uma nova geração de tecnologias de defesa orbital.
Source · Payload Space





