A eficácia comprovada do sistema interceptador de drones Merops, fabricado nos Estados Unidos, tem gerado um interesse crescente entre os aliados da OTAN, especialmente aqueles localizados na fronteira oriental da aliança. Segundo um oficial de defesa americano, pelo menos seis países já adquiriram o sistema ou estão em processo de compra, sinalizando um esforço concertado para reforçar as defesas contra incursões aéreas repetidas.

O Merops, que se destacou por derrubar milhares de drones russos na Ucrânia, oferece uma solução atraente para um desafio cada vez mais premente. A necessidade de tecnologias de contra-drones robustas e acessíveis tornou-se uma prioridade, à medida que países como Polônia e Romênia já haviam adquirido e implantado o sistema após violações do espaço aéreo da OTAN em setembro de 2025. A Lituânia também anunciou planos de comprar um lote de teste em abril.

O sistema Merops é composto por um radar, lançador, estação de controle terrestre e um interceptador de US$ 15.000, capaz de atingir velocidades superiores a 280 km/h. Uma de suas características mais notáveis é o uso de inteligência artificial para navegação em ambientes saturados por guerra eletrônica, uma tática comum no conflito ucraniano. O interceptador pode ser lançado de locais flexíveis, como a caçamba de uma caminhonete, e destrói seus alvos por colisão ou explosão de proximidade. A operação do sistema é simplificada, exigindo uma tripulação pequena que pode ser treinada em poucos dias.

O interesse em sistemas como o Merops reflete um movimento mais amplo na OTAN para fortalecer o flanco oriental — que abrange países do Mar Báltico ao Mar Negro — com sensores, interceptadores e outras tecnologias para neutralizar a ameaça de drones. A escalada de violações do espaço aéreo, frequentemente atribuídas à Rússia, tem levado os aliados a mobilizar jatos de combate caros para responder a drones de baixo custo, uma solução considerada ineficiente. A busca por métodos mais econômicos para engajar drones é, portanto, uma necessidade estratégica.

Além do Merops, os aliados do flanco oriental estão adquirindo outras tecnologias de contra-drones, embora os detalhes específicos não tenham sido divulgados. O Tenente-Coronel Adam Scher, porta-voz da Joint Interagency Task Force 401 do Departamento de Defesa dos EUA, destacou que a tarefa da força é auxiliar aliados e parceiros na aquisição rápida de tecnologia avançada para combater a ameaça crescente de drones. Ele enfatizou que não existe uma solução única, mas sim a necessidade de construir uma defesa em camadas, combinando sensores, radares ativos e passivos, câmeras e efetores cinéticos e não cinéticos.

A aquisição acelerada de interceptadores de drones pelos países da OTAN, impulsionada pelo sucesso na Ucrânia e pela necessidade de proteger suas fronteiras, sublinha a importância estratégica dessas tecnologias na defesa moderna. A capacidade de responder a ameaças aéreas de forma eficaz e econômica é crucial para a segurança da aliança em um cenário geopolítico cada vez mais complexo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider