O artista e educador Pablo Helguera, conhecido por seu trabalho focado em práticas socialmente engajadas, assumiu a direção do Vera List Center for Art and Politics (VLC) na New School, em Nova York, além de diretor da coleção de arte da instituição. Helguera já fazia parte da casa, atuando desde 2020 como professor assistente de gestão e empreendedorismo em artes na College of Performing Arts da escola, onde supervisionava um programa de mestrado.

Anteriormente, Helguera dedicou 13 anos ao Museu de Arte Moderna (MoMA), onde foi diretor de programas para adultos e acadêmicos. Ele sucede Carin Kuoni, que liderou o centro desde 2004. "É uma transição maravilhosa", disse Helguera à ARTnews. "É exatamente o que fiz a minha carreira toda. Sou programador há muito tempo e há pouquíssimas pessoas da minha espécie". O VLC apoia pesquisa, ensino, exposições, publicações e programas públicos, com um fórum anual como evento principal. Sob a iniciativa de Kuoni, o centro adota um tema a cada dois anos, sendo o atual "Matter of Intelligence".

Arte e política em tempos de mudança

A nomeação de Helguera ocorre em um momento de intensa atividade política nos Estados Unidos, o que ele enxerga como oportunidade para refletir sobre a relação entre arte e democracia. Em suas palavras, sente-se "sortudo" por assumir o cargo agora e vê a conjuntura como um terreno fértil para discutir como reconstruir a confiança nas instituições e qual papel os artistas podem desempenhar nesse processo. Para Helguera, vale explorar uma perspectiva de esperança, em contraste com o pessimismo que, segundo ele, marcou a última década.

O percurso de um engajado socialmente

Pablo Helguera possui uma trajetória consolidada no cenário artístico internacional, com um interesse intrínseco pelas interseções que o Vera List Center explora. Sua obra frequentemente aborda temas como o engajamento social e a participação cívica. O Sheldon Museum of Art, em Nebraska, anunciou recentemente um subsídio de US$ 100.000 da Andy Warhol Foundation para apoiar "Pablo Helguera: Socialscapes and Bad Witches", uma retrospectiva de sua carreira planejada para 2027.

Seu trabalho "The Schoolhouse and the Bus", em colaboração com Suzanne Lacy, integrou a iniciativa Pacific Standard Time: LA/LA em 2018. Durante seu tempo no MoMA, Helguera foi procurado por artistas e escritores para contribuir com publicações que discutiam o papel das instituições de arte. Ele também concebeu e dirigiu "The School of Panamerican Unrest", um projeto que envolveu mais de 100 programas públicos em 20 países, e fundou a Librería Donceles, uma livraria itinerante de livros usados em espanhol.

Experiência institucional e curatorial

Helguera é autor de dois livros: "Education for Socially Engaged Art: A Materials and Techniques Handbook" (2011) e "Art Scenes: The Social Scripts of the Art World" (2012). Seus créditos curatoriais incluem "Club Americano" no Museum of Fine Arts, Boston (2017), e sua atuação como "curador pedagógico" na Oitava Bienal do Mercosul (2011) e "mediador cultural" na Manifesta 15 em Barcelona (2024). Seus reconhecimentos incluem uma Guggenheim Fellowship e um Creative Capital grant.

No MoMA, Helguera desenvolveu e liderou simpósios, incluindo um fórum anual sobre arte contemporânea, e concebeu a iniciativa Artists Experiment, que promoveu o diálogo entre artistas e educadores. Antes de ingressar no MoMA, ele moldou a programação pública no Guggenheim Museum e no Museum of Contemporary Art Chicago. O Vera List Center, fundado em 1992 e nomeado em homenagem à colecionadora e filantropa Vera G. List, opera com um orçamento anual de US$ 1,1 milhão, contando com apoio de fundações como Mellon, Ford e Andy Warhol.

Perguntas para o futuro

Com a assunção de Helguera, o Vera List Center se posiciona para investigar as complexas relações entre arte, política e sociedade em um momento de renovado debate democrático. A trajetória do novo diretor, marcada pelo engajamento social e pela exploração das dinâmicas do mundo da arte, sugere um foco contínuo em programas que provocam reflexão e promovem o diálogo.

As questões que emergem — como reconstruir a confiança nas instituições e qual o papel dos artistas em pensar a democracia e o populismo — tornam-se centrais para a agenda do centro. A expectativa é que Helguera utilize sua vasta experiência para fomentar discussões que, partindo de um lugar de esperança, explorem as possibilidades da arte como ferramenta de análise e transformação social.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews