A Pague Menos apresentou resultados mistos no terceiro trimestre de 2025, com uma desaceleração na receita que ficou abaixo das projeções do mercado. A receita totalizou R$ 4,4 bilhões, um avanço de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as vendas em lojas comparáveis (same-store sales) cresceram 5,6%. Esses números representam uma queda de ritmo em comparação com os crescimentos de 13,9% e 17,9% observados nos trimestres anteriores. O CEO Jonas Marques atribuiu essa desaceleração à forte base comparativa e à perda de impulso de medicamentos como os GLP-1, que antes impulsionavam o crescimento.

Análise do Desempenho

O desempenho mais fraco na receita foi influenciado por fatores pontuais e estruturais. A forte base de comparação, especialmente com o lançamento de medicamentos como o Mounjaro em maio de 2025 — quando a Pague Menos deteve uma participação inicial de mercado de 15% (o dobro do normal) —, contribuiu para uma performance robusta nos trimestres anteriores. Com a expansão da distribuição do medicamento para outras redes, a participação da Pague Menos nesse segmento recuou para cerca de 9%, impactando a receita geral. Adicionalmente, o segmento de medicamentos over-the-counter (OTC) apresentou crescimento modesto de 2,5%, reflexo da menor incidência de infecções respiratórias no período, conforme apontou o CFO Luiz Novaes.

Rentabilidade e Eficiência

Apesar da desaceleração na receita, a Pague Menos demonstrou notável força em sua rentabilidade. O EBITDA do trimestre atingiu R$ 279 milhões, um aumento de 7,1% e 1% acima do consenso, consolidando o EBITDA dobrado nos últimos dois anos. O lucro líquido foi de R$ 96 milhões, superando as projeções em 2,4%, e a margem de lucro atingiu 2,1%, a maior da história da companhia para um terceiro trimestre. Segundo Jonas Marques, essa melhora se deve a ganhos de eficiência decorrentes de revisões contratuais e otimizações nas despesas de compra.

Geração de Caixa e Expansão

A geração de caixa operacional foi outro ponto alto, totalizando R$ 165 milhões no trimestre — crescimento de quase três vezes em relação ao ano anterior —, elevando o caixa acumulado em doze meses para R$ 690 milhões. A alavancagem permaneceu estável em 1,8x o EBITDA. A companhia abriu 14 novas lojas no trimestre e planejava cerca de 50 aberturas ao longo de 2025.

Perspectivas e Cenário Econômico

O futuro da expansão da Pague Menos está atrelado às condições macroeconômicas, especialmente à trajetória da taxa de juros. O CFO Luiz Novaes indicou que um cenário de juros elevados ou com queda menos acentuada pode levar a uma maior preservação de caixa e a uma possível redução no ritmo de abertura de novas lojas, visando diminuir ainda mais a alavancagem. A companhia sinalizou buscar maior flexibilidade no planejamento para 2026, com uma faixa de abertura de lojas mais ampla, aguardando maior definição do cenário econômico antes de cravar metas.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Brasil Journal Tech