A Associação Espanhola de Turismo Rural (Asetur) anunciou a abertura das candidaturas para o prêmio “Destino Rural de Espanha 2027”. Municípios e comarcas de todo o país podem se inscrever até o final de outubro para disputar o selo, que reconhece a excelência na promoção do turismo local, a conservação do patrimônio e a sustentabilidade. O vencedor será anunciado em novembro.
Mais do que uma competição local, a iniciativa é um termômetro de uma mudança estrutural no turismo. A crescente valorização do interior, de viagens com menor impacto ambiental e de experiências autênticas está criando um novo e poderoso eixo de desenvolvimento econômico. Para um país de dimensões continentais e vasta riqueza cultural como o Brasil, o modelo espanhol oferece uma reflexão estratégica.
A economia da autenticidade
Um prêmio como o da Asetur funciona como um selo de qualidade com chancela de mercado. Ele não avalia apenas a beleza cênica de um lugar, mas a gestão integrada do destino. Os critérios, segundo a organização, incluem a conservação do patrimônio cultural e natural e a “autenticidade da experiência turística”. Em essência, o prêmio recompensa a estratégia, não apenas o ativo.
Essa abordagem dialoga diretamente com a demanda de um perfil de viajante pós-pandemia, que busca desconexão, significado e contato com a cultura local — o chamado slow travel. O selo funciona como um atalho, sinalizando para este público quais destinos oferecem uma proposta de valor bem estruturada, transformando a autenticidade em um diferencial competitivo tangível.
O modelo e o espelho brasileiro
O formato da competição espanhola é, em si, uma lição. Ao estabelecer um processo formal com critérios claros, ele incentiva gestores públicos e privados a profissionalizar sua oferta. A candidatura força os municípios a articularem sua identidade e seu plano de desenvolvimento, transformando o marketing em uma ferramenta de planejamento.
No Brasil, com sua imensa diversidade de biomas e tradições rurais — da Serra da Canastra, em Minas Gerais, ao Vale dos Vinhedos, no Sul —, um mecanismo de curadoria similar poderia ser transformador. Ele criaria uma régua de excelência e estimularia uma competição saudável para além do tradicional eixo de sol e praia, impulsionando economias e ajudando a preservar a identidade do interior do país.
A iniciativa espanhola, portanto, é menos sobre o troféu e mais sobre o processo. Ela mostra como transformar o potencial turístico em um produto bem acabado e sustentável. O verdadeiro prêmio é a jornada de organização e autoconhecimento que cada localidade percorre para competir, um exercício que o Brasil poderia observar com atenção.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España




