Técnicos da NASA no Kennedy Space Center, na Flórida, começaram a instalar os quatro motores RS-25 no estágio principal do foguete Space Launch System (SLS). A estrutura é a espinha dorsal da Artemis III, a missão que deve levar astronautas de volta à superfície lunar em 2027.

O movimento, no entanto, é mais do que um passo técnico no cronograma. Ele revela uma aposta estratégica da agência espacial na confiabilidade de hardware testado e aprovado em combate. Em vez de projetar um sistema de propulsão inteiramente novo para o seu foguete mais potente, a NASA recorre a veteranos: motores que impulsionaram o programa de ônibus espaciais por décadas.

A confiança no hardware testado

Cada um dos quatro motores — com números de série E2054, E2057, E2048 e E2052 — possui um histórico de voo detalhado. Segundo a própria NASA, o motor E2048, por exemplo, tem uma biografia notável: ele ajudou a lançar a missão STS-129 do ônibus espacial Atlantis e, antes disso, esteve no histórico voo STS-95, em 1998, que levou o pioneiro espacial e senador John Glenn de volta à órbita aos 77 anos.

A decisão de reutilizar esses componentes não é meramente nostálgica; é pragmática. Em um cenário onde players privados como a SpaceX inovam com ciclos rápidos de desenvolvimento e testes, a NASA opta por uma abordagem de mitigação de risco para suas missões tripuladas mais críticas. Certificar um motor para voos humanos é um processo extremamente caro e demorado. Utilizar equipamentos com milhares de segundos de performance comprovada em voo é um atalho seguro e financeiramente sensato.

Enquanto o programa SLS como um todo enfrenta críticas por seus custos e prazos alongados, a escolha dos motores RS-25 é um símbolo da filosofia da agência. A aposta para o próximo grande salto da humanidade no espaço repousa sobre a performance de uma tecnologia forjada na era anterior da exploração espacial, conectando o legado do programa Shuttle ao futuro lunar da Artemis.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · NASA Breaking News