A rede hoteleira estatal espanhola Paradores de Turismo fechou o verão de 2026 com um resultado que desafia a percepção comum sobre empresas públicas. Entre julho e agosto, a companhia faturou um recorde de mais de €80 milhões, atingindo uma taxa de ocupação média de 86,1% em seus 99 estabelecimentos. O desempenho representa um incremento de 11.000 pernoites em relação ao mesmo período de 2025.

Os números, reportados pela Forbes España, não são apenas um sinal da recuperação do setor, mas a validação de uma estratégia deliberada. O sucesso da Paradores ancora-se no turismo de interior, na força do mercado doméstico e em uma gestão de ativos que transforma patrimônio histórico e eventos naturais em receita. É um caso de estudo sobre como uma empresa com mandato público pode operar com disciplina de mercado.

O motor do interior

A tese central da Paradores é a descentralização. Enquanto grande parte do setor hoteleiro foca nos grandes centros urbanos e litorâneos, 70% das unidades da rede estão localizadas em municípios com menos de 35.000 habitantes. Essa capilaridade permitiu capturar a crescente demanda por destinos menos saturados, com a região norte da Espanha liderando a ocupação com 91,4%.

O modelo também demonstra uma notável capacidade de monetizar eventos específicos. Durante o eclipse solar de agosto, a ocupação média da rede saltou para 95,7%, chegando a 100% nos 25 hotéis situados na faixa de visibilidade máxima. A atração de turistas e grupos de cientistas dos EUA e Austrália para o evento evidencia uma sofisticação em marketing e gestão de demanda que vai além do esperado para uma empresa estatal, impulsionando também a reputação online e o índice de recomendação (NPS), que subiu para 71,69 pontos.

O caso da Paradores serve como um contraponto à narrativa de que empresas estatais são sinônimo de ineficiência. Ao aliar um propósito público claro — coesão territorial e turismo sustentável, nas palavras da presidente Raquel Sánchez — com uma execução comercial afiada, a companhia oferece um modelo relevante. A questão que fica é o quão replicável é essa fórmula, que combina ativos únicos com uma gestão focada em resultados.

Source · Forbes España