A Paramount Skydance, comandada por David Ellison, elevou a aposta na sua tentativa de fusão com a Warner Bros. Discovery (WBD). A empresa pediu a um juiz federal que os opositores do negócio — uma coalizão de 12 estados americanos e o sindicato dos roteiristas (Writers Guild of America) — depositem uma caução de US$ 1,88 bilhão para prosseguir com a ação judicial que visa bloquear o acordo por razões concorrenciais.

A manobra legal, considerada agressiva, busca colocar um preço no atraso do processo. A tese da Paramount é que, se ela vencer a disputa nos tribunais, os custos incorridos pela demora devem ser cobertos por quem a causou. Segundo reportagem do Business Insider, a medida surge após um juiz admitir que os autores da ação levantaram “questões sérias”, marcando o início do julgamento para março.

O preço do atraso

O cálculo bilionário da Paramount não é aleatório. Ele se baseia principalmente em uma cláusula contratual conhecida como “ticking fee”, uma espécie de multa por atraso. A partir de 1º de outubro, a Paramount terá que pagar aos acionistas da WBD quase US$ 7 milhões por cada dia em que a fusão não for concluída. Pelas contas da empresa, apenas essa taxa somaria US$ 1,3 bilhão até o fim do julgamento, um valor que seria “irrecuperável”.

A exigência da caução funciona como uma tática de pressão processual. Ao quantificar o prejuízo, a Paramount tenta dissuadir os oponentes de continuarem com o litígio. Contudo, especialistas em fusões e aquisições ouvidos pela publicação americana consideram “muito improvável” que um juiz acate o pedido, transferindo o risco financeiro do negócio para os autores da ação antitruste.

Um sinal de confiança

Por outro lado, o movimento pode ser lido como um sinal de confiança da gestão de Ellison na aprovação final da fusão. O negócio já recebeu o aval de importantes órgãos reguladores, incluindo o Departamento de Justiça dos EUA e a Comissão Europeia, deixando a ação dos estados como o principal obstáculo remanescente.

Ao forçar a discussão sobre os custos do litígio, a Paramount desloca parte do debate do mérito concorrencial para o risco financeiro. Para os estados e o sindicato, a mensagem é clara: a batalha judicial contra um gigante da mídia tem um custo que pode ser cobrado ao final. A decisão do juiz sobre a caução, mesmo que desfavorável à Paramount, já serviu para demarcar o campo de batalha financeiro.

A disputa pela reconfiguração do cenário de mídia não será travada apenas com argumentos sobre competição, mas também sobre a capacidade de cada lado de suportar as consequências econômicas da guerra judicial.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider