O pleno do Parlament das Baleares rejeitou uma iniciativa apresentada pela coalizão MÉS per Mallorca, que propunha a redução do número de voos e passageiros nos aeroportos do arquipélago, com foco especial no período entre abril e setembro. A proposta também visava a diminuição das horas de operação dos aeroportos. Apesar da rejeição da medida principal, uma demanda relacionada à paralisação de obras e projetos de ampliação aeroportuária foi acolhida.

O debate sobre a política aeroportuária

Ferran Rosa, deputado do MÉS per Mallorca, criticou veementemente a política do governo central e da AENA, comparando-a a uma atuação "extractivista" sobre os aeroportos das ilhas. Ele também apontou o "cinismo" dos principais partidos políticos e associou o aumento da conectividade aérea à expansão da oferta turística ilegal. A proposta buscava um modelo mais sustentável, em contraste com a política turística do executivo autonômico, que Rosa considera insuficiente para lidar com a pressão sobre o arquipélago.

Propostas e contrapropostas

O Partido Popular (PP), por meio da deputada Salomé Cabrera, apresentou emendas a diversos pontos da proposta. Cabrera reconheceu a pressão sobre o arquipélago e o papel dos aeroportos, mas destacou que, enquanto o governo regional trabalha em contenção e combate à oferta turística ilegal, a AENA planeja um crescimento significativo, chegando a quase 50 milhões de passageiros até 2031. O Partido Socialista (PSIB), representado pelo deputado Carles Bona, defendeu a necessidade de iniciar negociações bilaterais para um modelo de cogestão aeroportuária, uma ideia que foi rejeitada pelo MÉS. Bona criticou a postura da governadora Prohens, que, segundo ele, demonstra "espanto" com as previsões da AENA, ao mesmo tempo em que pede a redução de taxas e a promoção de novas rotas pelos conselhos locais.

Posições divergentes e preocupações

O deputado do Vox, Sergio Rodríguez, acusou o PP de se alinhar à esquerda em questões de masificação, alertando que essa abordagem levaria a uma derrota ideológica. Por outro lado, o deputado de Formentera, Llorenç Córdoba, exigiu uma resposta contundente às manifestações populares contra a ampliação do aeroporto, refletindo a insatisfação de parte da população local com o modelo de desenvolvimento turístico. A rejeição da iniciativa do MÉS evidencia a complexidade e as divergências políticas em torno da gestão do turismo e da infraestrutura aeroportuária nas Baleares.

Perguntas em aberto e o futuro do turismo

A decisão do Parlament deixa em aberto questões cruciais sobre o futuro do turismo nas Baleares. Como conciliar a crescente demanda turística com a preservação ambiental e a qualidade de vida dos residentes? Qual será o papel da AENA e do governo central nas decisões futuras sobre a capacidade aeroportuária? A busca por um modelo turístico mais sustentável e menos predatório continua sendo um desafio central para a região, com diferentes atores políticos e sociais apresentando visões e soluções distintas para o problema da masificação e do impacto ambiental.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España