A Pax, uma startup brasileira que busca transformar a segurança pública com inteligência artificial, tem apostado em uma estratégia agressiva de recrutamento para montar uma equipe de elite. A empresa tem atraído profissionais com passagens por instituições de renome mundial, como Harvard, MIT, Stanford e Oxford, além de talentos formados no ITA. Em menos de dois anos, a Pax já conta com cerca de 90 funcionários, quase metade engenheiros, e afirma que sua tecnologia já está sendo aplicada em operações policiais em estados como Goiás, São Paulo, Paraná e Ceará.

O time da Pax é composto por cerca de um quinto de profissionais com formação em universidades estrangeiras de ponta e outro quinto egressos do ITA. O grupo acumula ainda quase 200 medalhas em olimpíadas de matemática, física e informática, evidenciando um alto nível de capacidade analítica e de resolução de problemas. Além disso, a startup conta com ex-profissionais de gigantes como Meta, Palantir, Nubank e Brex. Entre os fundadores estão Lucas Fox, que ajudou a construir a Brex no Vale do Silício; Phyllipe Medeiros, com experiência na Meta; Fernando Czapski, ex-Nubank com MBA em Harvard; e David Peixoto, CEO da Pax e empreendedor serial.

A estratégia da Pax se concentra em desenvolver a tecnologia a partir das necessidades reais das operações policiais. Antes de criar sua plataforma, as equipes acompanharam o trabalho de investigadores para entender a produção de dados, identificar gargalos e as conexões necessárias para solucionar casos. A plataforma desenvolvida pela startup é capaz de conectar informações dispersas em diferentes sistemas — como imagens de câmeras, boletins de ocorrência, registros de veículos — e utilizar inteligência artificial para identificar relações e sugerir linhas de investigação aos policiais.

Na prática, a tecnologia da Pax permite cruzar, em segundos, dados que manualmente poderiam levar horas ou dias. Por exemplo, características de um veículo, registros de câmeras, boletins de ocorrência e outras informações podem ser rapidamente correlacionados para auxiliar na identificação de suspeitos, localização de foragidos ou recuperação de veículos. A empresa ressalta que a adaptação da tecnologia às especificidades de cada região é crucial, considerando as diferenças na dinâmica criminal, infraestrutura e bases de dados locais.

Segundo dados apresentados pela própria Pax, em regiões de Goiás analisadas após a implantação da tecnologia, houve uma queda de 27% nos crimes violentos entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2025, com um avanço de 79% nos indicadores de eficiência operacional policial. Um piloto em Bauru (SP) teria contribuído para reverter uma investigação que corria o risco de ser arquivada por falta de provas. A empresa também relata aplicações em Goiás, Paraná, São Paulo e Ceará, focadas na localização de foragidos, recuperação de veículos e apoio na resolução de investigações.

O recrutamento de talentos excepcionais é uma peça central na estratégia da Pax. Profissionais como Raíssa Pimentel (ITA), Felipe Coimbra e Gabriel Simões (ex-Palantir) e Luísa Shida (Harvard) fazem parte do time. A empresa busca evidências de capacidade de execução em problemas complexos, valorizando não apenas credenciais acadêmicas, mas também histórico em competições, empreendedorismo e projetos anteriores. A rede de contatos dos próprios funcionários tem sido fundamental para indicar novos talentos, criando um ciclo virtuoso de contratação baseado em referências profissionais.

A combinação entre a complexidade dos desafios da segurança pública e a oportunidade de trabalhar com profissionais de alto calibre tem sido um fator de atração para esses talentos. Essa abordagem de formar uma equipe de ponta, com forte base em IA e experiência global, posiciona a Pax como uma potencial disruptora no setor de segurança pública no Brasil.

Com reportagem de Brazil Valley

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