A Pemex, petroleira estatal do México, está absorvendo perdas bilionárias para conter o preço dos combustíveis no país. Entre abril e agosto, a estratégia de vender gasolina e diesel abaixo dos preços de importação gerou um prejuízo acumulado de 10,5 bilhões de pesos (cerca de US$ 620 milhões), segundo uma análise da consultoria PetroIntelligence, reportada pelo portal Expansión.
A medida é uma ferramenta deliberada do governo mexicano para combater a inflação, utilizando a estatal como um escudo contra a alta internacional do petróleo. A leitura, no entanto, é que a estratégia de curto prazo impõe um sacrifício financeiro insustentável a uma companhia já sobrecarregada por dívidas, levantando um debate familiar ao mercado brasileiro sobre o papel de uma petroleira estatal na política de preços.
O Custo da Distorção
A mecânica do subsídio é direta: a Pemex vende seus produtos em terminais por um preço que importadores privados não conseguem igualar. Segundo dados da PetroIntelligence de meados de setembro, a gasolina regular era vendida pela estatal a 21,68 pesos por litro, enquanto o preço para importadores era de 25,60 pesos — uma diferença de 3,92 pesos. No diesel, a brecha era ainda maior, de 4,42 pesos por litro.
Essa distorção torna impossível para concorrentes privados operarem sem prejuízo dentro do pacto voluntário de preços estabelecido pelo governo. Para a Pemex, o impacto vai além da perda de receita. A companhia, que já enfrenta uma dívida financeira massiva e débitos com fornecedores, sacrifica o caixa que seria destinado a investimentos e ao serviço da dívida para bancar, na prática, um subsídio ao consumidor.
Um Duplo Subsídio
O esforço para conter os preços não se limita à Pemex. O governo mexicano também abriu mão de receitas fiscais, aumentando os estímulos sobre o IEPS, um imposto federal sobre combustíveis. Na semana de 12 a 18 de setembro, o subsídio para o diesel chegou a 100% do imposto, um custo que deixa de entrar no Tesouro.
O custo da política anti-inflacionária é, portanto, duplo: recai sobre o balanço da petroleira e sobre a arrecadação do governo. Analistas como Alejandro Montufar, CEO da PetroIntelligence, alertam que o modelo é insustentável. A leitura é que a Pemex chegará a um ponto em que não conseguirá mais absorver o custo, exigindo aportes de emergência do governo e transformando um subsídio implícito em um resgate explícito.
A estratégia oferece um alívio temporário nas bombas, mas transfere a conta para o futuro. O governo mexicano aposta que pode conter a pressão de preços sem comprometer de forma irreversível a saúde financeira de um ativo estratégico. A questão que fica no ar não é se o modelo é sustentável, mas por quanto tempo ele pode ser mantido antes que os “custos ocultos” se tornem grandes demais para serem ignorados.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Expansión MX





