A Pentagram não é uma agência. É uma estrutura societária sem CEO, sem hierarquia criativa central, onde cada sócio opera como unidade autônoma sob uma marca compartilhada — modelo fundado em Londres em 1972 que sobreviveu a cinquenta anos de consolidação do setor sem se render à lógica de holding.

O Que a Parceria Igualitária Ainda Resolve

A Pentagram foi criada por cinco designers britânicos — entre eles Alan Fletcher e Colin Forbes — como resposta direta ao modelo de agência tradicional, onde o fundador acumula capital simbólico e os demais executam. A estrutura de parceria igualitária distribui tanto o lucro quanto a reputação: cada sócio assina seu trabalho com o próprio nome, mas se beneficia do peso institucional da marca coletiva. É um arranjo que, no mercado de design dos anos 1970, era radical. Em 2024, é quase arqueológico.

Andrea Trabucco-Campos, sócio na sede de Nova York, representa a geração mais recente a ingressar nessa estrutura. Seu perfil — designer com raízes na América Latina, trajetória internacional, linguagem visual que transita entre tipografia e identidade de marca — é representativo de como a Pentagram tem renovado seu quadro societário sem alterar a arquitetura organizacional. O escritório de Nova York, onde o vídeo foi rodado, funciona como microcosmo desse modelo: sócios com portfólios distintos, clientes diferentes, estilos visuais divergentes, compartilhando endereço, infraestrutura e sobrenome institucional.

Comparado a estúdios como o Sagmeister & Walsh — que operou durante anos como parceria de dois designers antes de se dissolver em 2019 — ou ao modelo de consultoria adotado pela IDEO, a Pentagram mantém uma escala média deliberada: grande o suficiente para atrair clientes corporativos, pequena o suficiente para que cada sócio mantenha controle criativo real sobre seus projetos.

A Tensão Entre Marca Coletiva e Autoria Individual

O modelo da Pentagram cria uma tensão produtiva que poucas firmas conseguem sustentar. Quando um sócio produz trabalho de alto impacto — como Paula Scher fez com a identidade do Citibank em 1998 ou com o rebranding do Public Theater de Nova York —, o crédito é simultaneamente dela e da firma. Isso gera um equilíbrio frágil: a marca coletiva amplifica o alcance de cada sócio, mas também dilui a narrativa individual que, no mercado contemporâneo de design, é cada vez mais o principal ativo de um profissional.

Trabucco-Campos navega essa tensão de forma visível: mantém presença ativa no Instagram com portfólio próprio, ao mesmo tempo em que opera sob o guarda-chuva institucional da Pentagram. É uma estratégia de dupla visibilidade que reflete uma mudança geracional — designers que entendem que a distribuição do trabalho nas redes sociais é tão importante quanto o trabalho em si.

A visita ao escritório de Nova York — localizado no Meatpacking District, bairro que concentra agências criativas e escritórios de tecnologia desde a gentrificação acelerada dos anos 2000 — também revela algo sobre como espaço físico ainda funciona como sinal de posicionamento no mercado de design. A Pentagram não opera remotamente. O escritório é parte do produto.

O que permanece sem resposta é a questão sucessória: como uma parceria igualitária se renova sem se fragmentar? A saída de sócios ao longo das décadas — alguns para fundar estúdios próprios, outros para cargos acadêmicos — sugere que o modelo tem custos de retenção altos. A longevidade da Pentagram é real, mas não é gratuita.

Fonte · The Frontier Design Videos