O Peru projeta um salto significativo em sua atratividade para o capital industrial e de infraestrutura com a implementação das Zonas Econômicas Especiais Privadas (ZEEP). Segundo estimativas recentes divulgadas pela AVLA Peru, o modelo tem potencial para mobilizar cerca de 8,73 bilhões de euros em investimentos ao longo da próxima década. A expectativa é que o desenvolvimento dessas zonas atue como um catalisador para a modernização produtiva do país.
O movimento não apenas promete alterar a dinâmica de capitais fixos, mas também abre uma frente de oportunidade para o setor de seguros, historicamente subutilizado no mercado local. A análise sugere que a sofisticação exigida pelos novos projetos de infraestrutura forçará uma expansão na oferta de produtos de proteção, integrando o país a padrões regionais mais elevados de gestão de risco.
O novo horizonte de investimentos
As ZEEP representam uma tentativa estratégica do governo peruano de descentralizar o desenvolvimento econômico e atrair players internacionais que buscam condições operacionais diferenciadas. Ao oferecer um ambiente regulatório e fiscal mais competitivo, o país busca compensar gargalos estruturais que tradicionalmente dificultam a entrada de grandes projetos de engenharia e logística.
Historicamente, o Peru tem mantido uma penetração do setor de seguros em relação ao PIB na casa dos 2%, um patamar considerado baixo quando comparado a vizinhos como Chile, que alcança 4,5%, ou Colômbia, com 3,3%. A chegada das zonas privadas deve, portanto, forçar uma correção nessa métrica, à medida que a complexidade dos novos ativos exigirá garantias mais robustas e especializadas.
Mecanismos de risco e demanda
O impacto direto no mercado segurador será sentido na demanda por apólices de alta complexidade. Projetos que envolvem construção civil pesada, engenharia avançada e logística internacional exigem coberturas específicas para incêndios, catástrofes naturais como terremotos e riscos de transporte de carga. Esse movimento exige que as seguradoras locais elevem sua capacidade técnica para atender a investidores que operam com padrões globais de governança.
Segundo Walter Fernández, gerente geral da AVLA Peru, o desdobramento das ZEEP elevará os padrões de investimento, exigindo soluções de seguro mais estruturadas. A leitura aqui é que o seguro deixará de ser apenas um custo operacional para se tornar um componente essencial de viabilização financeira, permitindo que projetos de maior risco alcancem o fechamento de capital necessário para a execução.
Implicações para o ecossistema
Para o setor privado, o desafio será absorver a demanda técnica sem que os custos de conformidade se tornem proibitivos para as empresas de menor porte. A integração das PMEs na cadeia de suprimentos dessas zonas econômicas exigirá um esforço de adaptação das seguradoras, que precisarão desenhar produtos multirriscos que sejam, ao mesmo tempo, abrangentes e acessíveis.
Do ponto de vista regulatório, o sucesso do modelo dependerá da estabilidade das regras aplicadas a essas zonas. A capacidade do Peru em manter a segurança jurídica determinará se os 8,73 bilhões de euros serão efetivamente alocados ou se permanecerão apenas no campo das intenções, refletindo a volatilidade política que frequentemente acompanha grandes projetos de infraestrutura na América Latina.
Perspectivas de longo prazo
O que permanece incerto é a velocidade com que a infraestrutura básica será entregue para suportar esses investimentos privados. A interdependência entre a viabilidade das ZEEP e a qualidade das rodovias, portos e energia disponível é um ponto de atenção para qualquer investidor que avalie o mercado peruano no médio prazo.
O mercado observará atentamente se a sofisticação do mercado local de seguros será acompanhada por uma maior diversificação de players. A entrada de novos competidores ou a expansão dos atuais determinará o nível de competitividade das taxas e a eficiência na mitigação dos riscos inerentes a esses grandes empreendimentos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





