A Petrobras oficializou um plano de investimentos de R$ 37 bilhões voltado ao estado de São Paulo, com vigência entre 2026 e 2030. O montante, detalhado pela alta gestão da estatal, prioriza a modernização do parque de refino e a transição para combustíveis renováveis, além de contemplar novas frentes de exploração na Bacia de Santos.

O projeto mais robusto é a expansão da Refinaria de Paulínia (Replan), que receberá R$ 17 bilhões. A unidade, responsável por cerca de 20% do refino nacional, passará por intervenções para elevar a capacidade de produção de diesel S10 e integrar tecnologias de coprocessamento e etanol para a fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF).

Estratégia de refino e transição energética

A centralidade de São Paulo na estratégia da Petrobras reflete a relevância das quatro refinarias que a companhia mantém no estado. A Replan destaca-se não apenas pelo volume de processamento, mas como um hub de testes para a descarbonização da frota. A transição para o SAF, seja via coprocessamento de óleos vegetais ou a rota "Alcohol-to-Jet" (AtJ), sinaliza uma tentativa da empresa de se alinhar às demandas globais por combustíveis de baixo carbono.

Além da infraestrutura de refino, a Petrobras planeja investimentos em energia fotovoltaica em Paulínia. O objetivo é otimizar o consumo interno de gás natural, liberando maior volume do insumo para o mercado externo. Esse movimento de eficiência operacional sugere uma gestão focada em reduzir custos fixos enquanto prepara a infraestrutura para os novos padrões de sustentabilidade exigidos pelo mercado internacional.

A aposta em novas fronteiras no pré-sal

Fora do segmento de refino, a estatal mantém o foco na exploração de petróleo bruto. A descoberta na área de Aram, na Bacia de Santos, é tratada como um projeto de alta prioridade. A empresa iniciou o desenvolvimento de uma estratégia para avaliar a comercialidade da área, que apresenta desafios técnicos de alta pressão. O cronograma estabelecido pela presidência da companhia prevê o início da produção em pelo menos um poço até 2030.

O desenvolvimento de Aram é emblemático para a Petrobras, que busca repor reservas em um cenário de incertezas geológicas e pressões por sustentabilidade. A capacidade de converter descobertas exploratórias em ativos produtivos dentro do prazo estipulado será o principal teste para a eficiência técnica da equipe de exploração e produção nos próximos anos.

Logística e integração portuária

O aporte de R$ 3,3 bilhões no Porto de Santos reforça a estratégia de integração logística. A expansão do terminal aquaviário visa aumentar a capacidade de movimentação de combustíveis, incluindo o bunker com parcela renovável. A expectativa é que essa infraestrutura atenda tanto a demanda interna quanto a crescente aceitação de combustíveis renováveis na Ásia e, futuramente, na América do Sul.

Este investimento reflete um esforço de capilaridade, garantindo que o escoamento da produção e a entrada de insumos acompanhem o ritmo da modernização das refinarias no interior paulista.

Perspectivas e desafios operacionais

O sucesso desses projetos depende da execução eficiente e da capacidade de mitigar riscos técnicos, especialmente na nova área de alta pressão em Santos. O mercado observa atentamente como a estatal equilibrará a manutenção de margens no refino com o alto custo de transição energética.

A viabilidade econômica do SAF, por exemplo, ainda enfrenta desafios de escala e custo de matéria-prima. O desenrolar desses investimentos nos próximos cinco anos definirá se a Petrobras conseguirá, de fato, diversificar seu portfólio sem comprometer a rentabilidade que o acionista espera.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Bloomberg Línea