A atividade econômica brasileira deve registrar uma expansão de 1% no primeiro trimestre de 2026, segundo a mediana das estimativas de 24 instituições financeiras consultadas. O dado, que será divulgado pelo IBGE, representa uma aceleração significativa ante a alta de 0,1% observada nos últimos três meses de 2025.
Na comparação anual, a expectativa é de que o Produto Interno Bruto cresça 1,8%, mantendo o ritmo do trimestre anterior. O cenário reflete uma combinação de fatores, incluindo o desempenho do setor agropecuário e uma retomada na indústria, além da resiliência do consumo das famílias.
Recuperação da oferta e o papel da indústria
O setor industrial, que apresentou resultados considerados decepcionantes ao longo de 2025, surge como um dos principais vetores para a leitura positiva do início de 2026. Analistas da XP Investimentos destacam que o setor tende a apresentar uma recuperação expressiva, enquanto a agropecuária deve entregar um crescimento robusto, beneficiado pela safra de soja.
Embora o setor de serviços, historicamente o maior componente do PIB, apresente sinais de perda de fôlego na margem, ele permanece como um pilar de sustentação. A avaliação é de que a resiliência do mercado de trabalho e o fluxo de crédito disponível continuam a blindar a atividade contra desacelerações mais bruscas no curto prazo.
Consumo das famílias e estímulos governamentais
Pelo lado da demanda, a absorção doméstica retomou o fôlego nos primeiros meses do ano. O consumo das famílias é apontado como o principal motor dessa dinâmica, sendo beneficiado por medidas de estímulo como a isenção de imposto de renda para faixas salariais de até R$ 5 mil e a valorização do salário mínimo.
O Itaú Unibanco ressalta que o aumento da renda disponível, aliado a políticas de crédito, cria um viés de alta para as projeções anuais. Há uma expectativa de que medidas fiscais e parafiscais implementadas pelo governo adicionem até 1,4 ponto percentual ao crescimento do PIB ao longo de 2026, sustentando o consumo mesmo diante de um cenário de juros ainda desafiador.
Tensões e riscos para a continuidade
Nem todos os analistas compartilham do otimismo para os próximos trimestres. Economistas do Banco Daycoval alertam que o resultado do 1T26 reflete, em grande parte, os impulsos governamentais diretos, o que pode não ser sustentável nas próximas leituras. A dúvida que persiste é se a economia conseguirá manter o ritmo sem a dependência contínua dessas injeções de estímulo.
Além disso, a formação bruta de capital fixo, embora apresente sinais de melhora na margem, ainda exibe fragilidades na comparação anual. O desafio para a economia brasileira segue sendo converter o consumo imediato em investimentos produtivos de longo prazo, garantindo que a aceleração não seja apenas um fenômeno passageiro.
O que observar daqui para frente
O mercado agora aguarda a confirmação dos dados pelo IBGE para ajustar as projeções para o restante do ano. A atenção se volta para a capacidade da indústria de manter a tração e para a reação do setor de serviços diante de possíveis mudanças no cenário de crédito.
A sustentabilidade do crescimento dependerá de como o mercado de trabalho reagirá aos ciclos de juros e se a balança comercial continuará sendo favorecida pelo desempenho das exportações de commodities. O cenário para 2026 permanece aberto, com revisões frequentes no horizonte.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





