O PicPay reportou lucro líquido ajustado de R$ 169 milhões no primeiro trimestre de 2026, superando as estimativas internas da companhia. O resultado divulgado reforça a atual trajetória de crescimento da empresa e consolida o bom momento do banco digital em suas principais frentes de atuação.

A receita líquida da instituição, controlada pelo Grupo J&F, alcançou R$ 3,5 bilhões, representando um incremento de 70% na comparação anual. A margem financeira também apresentou desempenho sólido, somando R$ 1,7 bilhão, uma alta de 76% frente ao mesmo período do ano anterior.

Contexto da operação

O desempenho do primeiro trimestre reflete a estratégia contínua de alocação de capital da companhia e a busca por maior eficiência nas operações. O CEO do PicPay, Eduardo Chedid, tem destacado o foco do banco em equilibrar o crescimento da base de clientes com a rentabilidade do negócio.

A expectativa da gestão é que, com a aplicação de recursos em produtos de crédito de maior rentabilidade, os indicadores de retorno financeiro permaneçam em patamares elevados nos próximos trimestres. A empresa reforça que a trajetória de rentabilidade deve apresentar tendência de alta à medida que a estrutura de capital for otimizada para sustentar a expansão das operações.

Dinâmica da carteira de crédito

A carteira total de crédito do PicPay atingiu R$ 28 bilhões ao final de março, um avanço de 116% em doze meses. Esse crescimento superou as projeções de mercado, que estimavam um volume próximo de R$ 26,5 bilhões. O custo de risco, mantido em 3,7%, permaneceu alinhado com as previsões internas da companhia.

Contudo, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 8,9%, ante 7,2% no trimestre imediatamente anterior. A instituição argumenta que esse movimento é uma consequência natural do descasamento temporal inerente a uma carteira em rápida expansão. A análise da saúde dos ativos, segundo o banco, deve considerar as métricas de formação por estágio, que apresentam estabilidade nos indicadores de risco nos últimos meses.

Implicações para o ecossistema financeiro

O foco na expansão de serviços financeiros coloca o PicPay como um player agressivo na disputa por market share, especialmente em um cenário de juros e condições macroeconômicas que exigem rigor na concessão de crédito. A capacidade da empresa em sustentar o crescimento da receita por cliente ativo (ARPAC), que atingiu R$ 80,7, sugere uma maior monetização de sua base de 44,3 milhões de contas ativas.

A gestão também sinalizou que, embora monitore o cenário macroeconômico com cautela, não identifica deterioração atípica em seu portfólio. A política de risco da instituição, segundo o comando, permite agilidade para ajustes caso o ambiente econômico exija uma postura mais conservadora nos próximos meses.

Outlook e incertezas

Para o segundo trimestre, o PicPay projeta um lucro líquido ajustado de R$ 245 milhões, com a carteira de crédito devendo alcançar R$ 31 bilhões ao final de junho. A receita esperada gira em torno de R$ 3,6 bilhões, mantendo a trajetória de crescimento observada no início do ano.

O mercado observará atentamente se a instituição conseguirá converter essa expansão de volume em rentabilidade sustentável sem comprometer a qualidade dos ativos. A capacidade de manter o custo de risco sob controle, enquanto escala a carteira, será o principal indicador de sucesso para os próximos períodos. Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney