Em 1º de setembro de 1979, a sonda Pioneer 11 da NASA se tornou o primeiro objeto construído pela humanidade a visitar Saturno, passando a cerca de 21.000 quilômetros do topo das nuvens do planeta. Lançada em 1973, a missão era uma continuação da sua gêmea, a Pioneer 10, e um passo fundamental na exploração do sistema solar exterior.

Mais do que uma simples visita, a passagem da Pioneer 11 por Saturno foi um teste de alto risco. Com as sofisticadas sondas Voyager 1 e 2 já a caminho, a NASA precisava de uma garantia: era seguro cruzar o plano dos anéis de Saturno? A Pioneer 11 foi a encarregada de fornecer a resposta, servindo como uma espécie de batedora para as missões que se tornariam icônicas. Sua principal função, naquele momento, era sobreviver.

Uma aposta calculada

A decisão de enviar a Pioneer 11 para Saturno foi um pivô estratégico. Originalmente, ambas as Pioneer tinham como alvo Júpiter, com o objetivo primário de provar que uma espaçonave poderia atravessar o cinturão de asteroides e o ambiente de alta radiação jupteriano. O sucesso da Pioneer 10 abriu a porta para uma ambição maior.

Aproveitando um alinhamento planetário raro, que ocorre uma vez a cada 175 anos, a NASA planejava o "Grand Tour" das Voyager pelos planetas gasosos. Segundo reportagem do site Space.com, com a viabilidade da jornada comprovada, a agência redirecionou a Pioneer 11. Após passar por Júpiter em 1974, a sonda usou a gravidade do gigante gasoso como um estilingue para ser arremessada em direção a Saturno, numa viagem que duraria quase cinco anos.

Legado para além dos anéis

A missão foi um sucesso em sua tarefa primária, validando a trajetória que a Voyager 2 seguiria anos depois. Mas a Pioneer 11 entregou muito mais. Seus 12 instrumentos científicos realizaram as primeiras medições diretas da magnetosfera de Saturno e revelaram que sua atmosfera é composta majoritariamente por hidrogênio líquido.

As 440 imagens capturadas durante o encontro, embora de resolução inferior às das Voyager, foram pioneiras. Elas permitiram a descoberta de duas novas luas e um anel até então desconhecido, batizado de anel F. A sonda também fez as primeiras observações da lua Titã, revelando uma esfera laranja com temperaturas médias de -192 graus Celsius. A Pioneer 11 carregava ainda uma placa com informações sobre a humanidade, um precursor do famoso Disco de Ouro das Voyager.

O último sinal da Pioneer 11 foi recebido em 1995, 22 anos após seu lançamento. Hoje, ela viaja silenciosamente pelo espaço interestelar, um artefato de uma era em que cada missão não apenas coletava dados, mas fundamentalmente abria caminho para a próxima.

Source · Space.com