O Banco Central (BC) adiou o lançamento de uma de suas principais novas armas contra fraudes no Pix. A funcionalidade, que permite um rastreamento mais profundo de dinheiro desviado para contas 'laranja', estava prevista para entrar em operação em 10 de agosto, mas agora tem nova data: 26 de outubro de 2026, segundo reportagem do Money Times.
A prorrogação ajusta o cronograma para que bancos e fintechs se adaptem às novas regras do Mecanismo Especial de Devolução (MED). A decisão expõe a tensão inerente à evolução de uma infraestrutura do tamanho do Pix: a necessidade de robustez técnica e o tempo de adequação dos participantes versus a urgência em fechar brechas exploradas em larga escala por criminosos.
O 'grafo' e a anatomia do golpe
A nova tecnologia, chamada de “profundidade no grafo”, promete dar um salto de qualidade na capacidade de recuperação de valores. Hoje, o rastreamento é mais eficiente na primeira camada de contas que recebem o dinheiro de um golpe. O problema é que os fraudadores pulverizam os recursos em uma complexa teia de transferências subsequentes em questão de minutos, tornando o bloqueio um desafio.
Com a busca em profundidade, o sistema informará não apenas o caminho do dinheiro, mas o nível exato que cada conta ocupa na cadeia da fraude. Para as equipes de compliance e segurança dos bancos, isso significa um mapa detalhado da operação criminosa, permitindo ações de bloqueio mais rápidas e precisas em contas secundárias ou terciárias, antes que o valor seja sacado ou pulverizado novamente.
O custo da espera
O adiamento é, na prática, um fôlego para as instituições financeiras, que ganham mais tempo para ajustar seus sistemas. Contudo, cada dia de atraso representa uma janela de oportunidade para os fraudadores, que continuam a explorar as limitações do modelo atual. A complexidade de coordenar dezenas de participantes do ecossistema Pix justifica a cautela do regulador, mas o custo dessa espera é medido em prejuízos para os usuários.
Enquanto a ferramenta de grafo aguarda, outra mudança no MED segue confirmada para 1º de setembro: a ampliação do prazo de contestação de devoluções de 30 para 80 dias em casos específicos. É um avanço, mas a leitura do mercado é que a verdadeira virada de jogo no combate às fraudes reside na capacidade de rastreamento em tempo real que a nova tecnologia promete entregar.
No fim do dia, a eficácia da ferramenta dependerá da agilidade da vítima em notificar a fraude e, crucialmente, da existência de saldo nas contas rastreadas. A tecnologia é uma parte da equação, mas não resolve o problema sozinha. O adiamento serve como um lembrete de que a corrida entre a inovação financeira e a criatividade dos golpistas é uma maratona de ajustes constantes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





