A Portal Space Systems, uma startup de tecnologia espacial sediada em Seattle, prepara-se para enviar seu primeiro satélite, o Starburst-1, para a Flórida, visando um lançamento em outubro. A decolagem ocorrerá a bordo de uma missão de compartilhamento de carga da SpaceX, a Bandwagon-5, partindo de Cabo Canaveral.

O lançamento não é um fim em si mesmo, mas um passo calculado em uma estratégia mais ampla. O Starburst-1 funciona como um cavalo de Troia para as ambições da Portal: um veículo para validar em ambiente real as tecnologias, cadeias de suprimentos e processos de manufatura que sustentarão seu produto principal, o Supernova. A tese é clara: reduzir o risco em uma escala menor antes de apostar todas as fichas no ativo que define a visão de longo prazo da companhia — a logística orbital ágil.

O ensaio geral

Com cerca de 270 kg, o Starburst-1 é a peça central do que a empresa considera um grande ensaio geral. O objetivo primário da missão, segundo reportagem do GeekWire, é validar o design de engenharia do satélite ao longo de um ano. Tudo que vier depois é considerado capacidade residual. O veículo, no entanto, já carrega experimentos que apontam para o futuro. Entre eles, um sistema de vídeo em movimento da TRL11 e um magneto supercondutor da Zenno, uma startup neozelandesa.

Este magneto é particularmente interessante. Teoricamente, ele poderia ser usado para manobrar a espaçonave interagindo com o campo magnético da Terra e, ao mesmo tempo, servir como um escudo contra radiação para os componentes eletrônicos. O CEO da Portal, Jeff Thornburg, descreve a tecnologia como "os escudos de Star Trek ganhando vida". Mesmo sendo um objetivo secundário, o teste demonstra a busca por tecnologias que confiram vantagens assimétricas em um ambiente hostil como o espaço.

A ambição Supernova

Se o Starburst é o teste, o Supernova é a tese. Programado para ser lançado em 2028, também pela SpaceX, este será o carro-chefe da Portal. Com quase o dobro do peso (cerca de 500 kg), ele foi projetado para ser uma plataforma orbital de alta manobrabilidade, capaz de mudar de órbita em horas ou dias, em vez de semanas ou meses. Essa agilidade é o que atrai o interesse de clientes como o Pentágono, que já concedeu dezenas de milhões de dólares em contratos de desenvolvimento.

O segredo da Supernova é seu sistema de propulsão solar-térmica, batizado de Flare. Ele usa luz solar concentrada para aquecer amônia, gerando empuxo de alta eficiência sem combustão química. O sistema inclui uma "bateria térmica" que armazena calor, permitindo manobras mesmo quando a espaçonave está na sombra da Terra. Essa capacidade abre portas para aplicações como inspeção e proteção de satélites e remoção de lixo orbital, posicionando a Portal não apenas como uma fabricante de hardware, mas como uma futura provedora de serviços de logística espacial.

Para suportar essa ambição, a empresa está trocando seu laboratório atual por uma nova fábrica com capacidade para produzir 12 Supernovas e 16 Starbursts por ano. A transição simboliza a passagem da fase de P&D para a de produção em escala. O primeiro lançamento é o fim do começo para a Portal, que executa um plano metódico para construir, passo a passo, as fundações de um novo modelo de operação no espaço.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · GeekWire